Projeto de extensão, UNIR
Programa de português escrito como segunda língua para Surdos: seguindo a jornada acadêmica do ensino médio ao ensino superior
Descrição
O Programa propõe uma ação de extensão com duração de 12 meses, que tem como finalidade promover a acessibilidade linguística e a emancipação acadêmica de estudantes surdos e ouvintes da Universidade Federal de Rondônia e da comunidade externa. Sua proposta está organizada em dois eixos complementares e simultâneos. O primeiro consiste no ensino do português escrito como segunda língua (PSLS) para estudantes surdos, em nível básico, orientado à comunicação funcional em situações cotidianas, como o preenchimento de currículos, formulários e provas oficiais, a leitura de placas, avisos, bulas e manuais, bem como a produção escrita em contextos de serviços públicos e privados. Esse eixo se fundamenta na Proposta Curricular para o Ensino de Português Escrito como L2 para Estudantes Surdos (MEC, 2021) e no Quadro de Referência para o Ensino de Português Escrito para Surdos (QREPS), que reconhecem a Língua Brasileira de Sinais (Libras) como língua de instrução e o português escrito como língua adicional, em consonância com a política nacional de educação bilíngue. O segundo eixo é voltado ao desenvolvimento da escrita acadêmica em língua portuguesa, destinado tanto a surdos quanto a ouvintes, com foco em gêneros científicos como resenhas, artigos, fichamentos e trabalhos de conclusão de curso. O diferencial é a utilização de metodologia voltada ao ensino de L2 para surdos, também na Educação Superior. Esse eixo busca fortalecer a autoria acadêmica e a inserção de estudantes surdos no universo da pesquisa e da produção científica, ampliando as condições de permanência e êxito na educação superior. O público-alvo do programa contempla estudantes surdos dos anos finais do ensino fundamental e do ensino médio, no primeiro eixo, e estudantes surdos e ouvintes do ensino superior, no segundo eixo, em especial discentes da UNIR que buscam aprimorar sua escrita acadêmica. Estima-se a abertura de quarenta vagas por ciclo anual, sendo vinte destinadas a estudantes da universidade e vinte à comunidade externa, assegurando o acompanhamento de mais de dez discentes da UNIR, conforme critério de relevância institucional. A equipe contará com a participação de um estudante surdo da UNIR como monitor extensionista, que atuará como mediador linguístico-cultural junto aos demais cursistas, fortalecendo o protagonismo estudantil e o diálogo entre saberes. Além disso, prevê-se o envolvimento de acadêmicos voluntários, surdos e ouvintes, do curso de Letras Libras, interessados em colaborar na elaboração de materiais didático-pedagógicos visuais e em participar das atividades formativas, ampliando sua experiência na prática docente e contribuindo para a consolidação de um espaço de aprendizagem colaborativo e inclusivo. A metodologia do programa articula o ensino em Libras e em português escrito, apoiando-se em estratégias visuais, multiletramentos e atividades situadas, como simulações e produção de textos em contextos reais. No eixo instrumental, o ensino será desenvolvido a partir de práticas de leitura e escrita que respondem às necessidades de comunicação imediata, enquanto, no eixo acadêmico, serão ofertadas oficinas e clínicas de texto voltadas à escrita científica, com atividades de produção colaborativa e revisão entre pares. Em ambos os eixos, haverá acompanhamento contínuo da aprendizagem, planos individualizados e avaliação formativa, com devolutivas frequentes aos estudantes. Com a participação de docentes, técnicos e discentes de diferentes áreas, o programa estabelece articulação interdisciplinar e interprofissional, além de vínculos intersetoriais com escolas públicas, associações de pessoas surdas e serviços locais, garantindo a interação dialógica com a sociedade. As ações de extensão desenvolvidas estarão integradas ao ensino e à pesquisa, uma vez que os dados e materiais produzidos poderão subsidiar investigações acadêmicas e resultar em publicações, relatórios técnicos e objetos educacionais acessíveis, que permanecerão como legado à comunidade. Entre os resultados esperados, destacam-se a ampliação da autonomia comunicativa de estudantes surdos, a consolidação da autoria acadêmica de surdos e ouvintes, a produção de materiais didáticos bilíngues, a formação de discentes extensionistas em práticas inovadoras de ensino e a contribuição efetiva para a promoção de justiça linguística e social. Dessa forma, o programa não apenas atende às diretrizes da extensão universitária, mas também responde a uma lacuna histórica da educação brasileira, oferecendo oportunidades reais de transformação social e acadêmica.
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