Projeto de pesquisa, UFV
A arte de lidar com as adversidades: Diversidades Genética, Taxonômica e Funcional de Ephemeroptera e Plecoptera (Insecta) da bacia do Rio Doce
Descrição
Ao longo das últimas décadas a dependência econômica do Brasil foi se consolidando progressivamente no setor minero-exportador, intensificando a atividade mineradora no vale do rio Doce. Esse modelo de exploração, acentuado na última década, submeteu a bacia hidrográfica do rio Doce ao maior desastre socioambiental do país, o rompimento da barragem de Fundão, gerenciada pela SAMARCO/BHP Billiton/Vale, em Mariana (MG – Brasil), em novembro de 2015. As estratégias para a conservação da biodiversidade são baseadas, principalmente, na composição de comunidades e riquezas de espécies. No entanto, essas medidas de diversidade partem do pressuposto de que todas as espécies e indivíduos são equivalentes em seus papéis ecológicos, mas há ampla evidência de que diferentes organismos desempenham diferentes funções em seu ambiente. Por estes componentes não considerarem as diferenças morfológicas, ecológicas e comportamentais entre as espécies, não são bons parâmetros para medir processos ou influência de distúrbios, como o estudo da diversidade funcional. Do ponto de vista ecológico, tanto os integrantes da ordem Ephemeroptera quanto os da ordem Plecoptera estão entre os principais grupos utilizados em programas de biomonitoramento de qualidade da água. Muitos estudos de identificação de espécies têm sido feitos levando em conta a genética dos indivíduos. A técnica de DNA ambiental tem se tornado peça fundamental para a conservação de espécies nativas e para o monitoramento de ecossistemas aquáticos. Nesse projeto buscamos entender quais características morfológicas relacionadas à alimentação, respiração e modo de vida das ninfas de Ephemeroptera e Plecoptera foram favorecidas pelo rompimento da barragem da SAMARCO e quais mecanismos explicam essa seleção. Buscamos também, realizar um levantamento de quais espécies de Ephemeroptera e Plecoptera, que ocorrem na bacia do rio Doce, já foram geneticamente sequenciadas e quais ainda não foram, a fim de verificar qual grupo funcional será mais beneficiado por monitoramento com DNA ambiental. Nosso pressuposto é de que a passagem do rejeito alterou a especificidade, a heterogeneidade e a disponibilidade de habitats na calha do rio Doce, dificultando a escolha de mesohabitat por ninfas de Ephemeroptera e Plecoptera. Esperamos encontrar menor diversidade taxonômica e funcional de efemerópteros e plecópteros, bem como menor diversidade, disponibilidade e qualidades de habitats em locais afetados pelo rejeito, comparadas a regiões que não tiveram contato com o rejeito. Também é esperado que em áreas sem o rejeito haja maior abundância de efemerópteros e plecópteros detritívoros e filtradores, por esses locais apresentarem maior disponibilidade de matéria orgânica particulada tanto em deposição, como em suspensão. É esperado ainda que indivíduos de áreas que tiveram contato com o rejeito apresentem desgaste do aparelho bucal e garras e aumento da superfície de contato das brânquias, uma vez que nesses locais a disponibilidade de oxigênio na água pode ter sido reduzida e o substrato deve ter sido soterrado sob um Tecnosolo homogêneo, lamacento, arenoso e com partículas de minério de ferro.
Palavras-chave
- EPT
- impacto ambiental
- e-DNA
- insetos aquáticos
- grupos funcionais
- estresse oxidativo
- morfometria
Grupo de pesquisa
Impactos antrópicos sobre a biodiversidade e processos ecossistêmicos
Financiamento
Com financiamento
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