Projeto de pesquisa, IFC
Aplicação de um probiótico dietético em tambacu cultivado em sistema integrado com alface em bioflocos
Descrição
A aquicultura tem se consolidado como uma das principais fontes de proteína de origem animal no mundo, impulsionando a busca por sistemas produtivos mais eficientes e ambientalmente sustentáveis. Nesse contexto, a tecnologia de bioflocos (Biofloc Technology – BFT) destaca-se por permitir o cultivo intensivo de organismos aquáticos com reduzida renovação de água, promovendo a reciclagem de nutrientes por meio da atividade microbiana e aumentando a eficiência do sistema produtivo. Entretanto, o acúmulo de sólidos suspensos e nutrientes ao longo do cultivo pode representar um desafio para a manutenção da qualidade da água, exigindo estratégias que possibilitem o aproveitamento desses compostos dentro do próprio sistema. Nesse cenário, a integração entre a tecnologia de bioflocos e a aquicultura multitrófica integrada (AMTI) surge como uma alternativa promissora, permitindo que resíduos provenientes do cultivo de peixes sejam reutilizados como fonte de nutrientes para a produção vegetal, promovendo maior eficiência no uso da água e dos nutrientes. Dessa forma, o presente projeto tem como objetivo avaliar o efeito da aplicação de uma bactéria ácido-láctica probiótica em um sistema integrado de produção envolvendo tambaqui (Colossoma macropomum), tilápia-do-nilo (Oreochromis niloticus) e alface (Lactuca sativa) cultivados em sistema de bioflocos. Serão avaliados parâmetros de qualidade da água, desempenho zootécnico dos peixes, desempenho fitotécnico das plantas e a retenção de nutrientes (carbono, nitrogênio e fósforo) no sistema produtivo. Espera-se que a utilização do probiótico contribua para melhorar a estabilidade microbiológica do sistema, favorecer o desempenho produtivo dos organismos cultivados e aumentar a eficiência de reciclagem de nutrientes, reduzindo a perda de compostos nitrogenados e fosfatados para o ambiente. Além disso, a integração entre peixes e plantas poderá promover maior aproveitamento dos resíduos metabólicos gerados no cultivo, contribuindo para a intensificação sustentável da produção aquícola. O projeto também está alinhado aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) propostos pela Organização das Nações Unidas, especialmente ao ODS 2 – Fome Zero e Agricultura Sustentável, ao buscar o desenvolvimento de sistemas de produção de alimentos mais eficientes e sustentáveis, capazes de contribuir para o aumento da oferta de proteína animal e vegetal. Além disso, relaciona-se ao ODS 15 – Vida Terrestre, ao propor estratégias que reduzem o descarte de efluentes ricos em nutrientes e minimizam potenciais impactos ambientais associados à aquicultura intensiva. Ao promover o uso mais eficiente dos recursos hídricos e a reciclagem de nutrientes dentro do sistema produtivo, a proposta contribui para o desenvolvimento de práticas aquícolas ambientalmente responsáveis. Além das contribuições científicas, o projeto apresenta importante papel na formação de recursos humanos, possibilitando a participação de estudantes de diferentes níveis de ensino em atividades relacionadas ao manejo de sistemas aquícolas integrados, monitoramento da qualidade da água, avaliação de desempenho produtivo e análise de dados experimentais. Dessa forma, a proposta contribui não apenas para o avanço do conhecimento em aquicultura sustentável, mas também para o fortalecimento da formação técnica e científica de estudantes das áreas de aquicultura, medicina veterinária, agronomia e ciências agrárias.
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