Projeto de pesquisa, IFC
Do plasma ao meio artificial: avaliação de estratégias para cultivo prolongado de hemócitos de Phacoides pectinatus
Descrição
A espécie Phacoides pectinatus, popularmente conhecida como amêijoa, almeja ou lambreta, é um bivalve marinho da família Lucinidae distribuído ao longo da costa atlântica, desde a Carolina do Norte (EUA) até o sul do Brasil. No país, apresenta importância socioeconômica em regiões costeiras, sendo explorada por comunidades tradicionais e comercializada em mercados e estabelecimentos turísticos. Além disso, essa espécie possui relevância científica por estabelecer uma relação de endossimbiose com bactérias quimiossintéticas presentes em suas brânquias, tornando-se um modelo promissor para estudos sobre interações hospedeiro-microrganismo. Diferentemente dos vertebrados, os invertebrados possuem apenas o sistema imune inato, no qual os hemócitos atuam como principais células de defesa, participando da detecção e eliminação de microrganismos invasores. Apesar de sua importância para a imunidade desses organismos, os estudos envolvendo cultivo celular de hemócitos ainda são limitados quando comparados aos realizados com células de vertebrados. Embora pesquisas recentes tenham obtido sucesso na manutenção de hemócitos de alguns invertebrados em cultura, muitos protocolos dependem do uso de plasma da própria hemolinfa como meio de cultivo, o que exige coletas frequentes e pode causar estresse fisiológico aos animais utilizados. Nesse contexto, o presente projeto tem como objetivo aprimorar o protocolo de cultura primária de hemócitos de P. pectinatus, avaliando diferentes condições de cultivo que permitam maior viabilidade celular a médio e longo prazo. Inicialmente, será investigada a eficiência do plasma fresco em comparação ao plasma previamente congelado na manutenção da viabilidade celular durante 14 dias de cultivo. Em seguida, serão testados diferentes níveis de substituição do plasma por meio artificial Leibovitz L-15, buscando identificar condições que permitam reduzir ou substituir o uso do plasma natural. Por fim, a melhor condição experimental será utilizada para avaliar a manutenção da viabilidade dos hemócitos por um período prolongado de até 30 dias.Espera-se que os resultados obtidos contribuam para o desenvolvimento de protocolos mais eficientes e sustentáveis de cultivo celular em bivalves, reduzindo a necessidade de coletas repetidas de hemolinfa e ampliando as possibilidades experimentais envolvendo células de defesa de moluscos marinhos. Dessa forma, o estudo poderá fornecer subsídios importantes para pesquisas nas áreas de imunologia comparada, ecologia marinha, ecotoxicologia e interações simbióticas em invertebrados.
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