Projeto de extensão, IFC
Memorial Indígena do Alto Vale do Itajaí
Descrição
No final do ano de 2019, foi organizado o Memorial Indígena do Alto Vale do Itajaí, situado no corredor ao lado da biblioteca da Unidade Sede do Instituto Federal Catarinense - campus Rio do Sul. O intuito deste espaço é a valorização da história, memória, identidade, cultura e modo de viver da população originária do Alto Vale do Itajaí, o povo Xokleng Laklãnõ. A partir do segundo semestre do ano de 2025, ocorreu a realização de projeto de extensão do Memorial Indígena, oficializando as ações que vinham ocorrendo, de maneira informal na instituição. O intuito de inscrever novamente esse projeto é relacionado à perspectiva de dar continuidade as ações desenvolvidas no primeiro semestre de 2026, que apresentaram resultados interessantes, em comparação com o cenário anterior à formalização desta atividade. A proposta deste projeto é oportunizar que estudantes de escolas públicas municipais e estaduais das redes de ensino da região do Alto Vale do Itajaí possam visitar o Memorial Indígena e conhecer o acervo de artefatos, artesanato e fotografias históricas, além da escultura em ferro do cacique Kamlém. Além da visitação, os estudantes participarão de palestra ministrada pelos integrantes da equipe deste projeto. Pretende-se ainda, de acordo com as possibilidades de tempo dos visitantes, que possam conhecer as ações desenvolvidas por outros projetos de extensão do campus e até mesmo realizarem a visitação em espaços agrícolas da Unidade Sede do IFC -campus Rio do Sul. Sabe-se do desafio de trabalhar essa temática, em uma região que foi nomeada turisticamente, como “Vale Europeu”, desconsiderando a história milenar da população originária regional. Outra questão desafiadora, refere-se ao fato da Serra Canoas estar distante da cidade de Rio do Sul, estando situada em uma área agrícola do município, havendo a necessidade de viabilização de transporte, para trazer os alunos até o espaço do Memorial Indígena do Alto Vale do Itajaí. No ano de 2026, foi elaborado um material de divulgação do Memorial, mas a proposta para essa nova edição do projeto é agendar reuniões na Secretaria Municipal de Educação de Rio do Sul e na Coordenadoria Regional de Educação de Rio do Sul. O objetivo dessas reuniões é buscar apoio dos profissionais que estão à frente da direção dessas estruturas públicas educacionais, em termos de disponibilização de ônibus, para viabilizar o deslocamento dos estudantes até o Memorial Indígena do Alto Vale do Itajaí. Cabe destacar, que em termos legais, é inviável utilizar o ônibus do IFC, para transportar estudantes de outras redes de ensino. Diante do exposto, existe a necessidade de obter parcerias, para viabilizar as visitas no Memorial Indígena e na Serra Canoas, caminho dos indígenas, no período anterior à colonização. É importante destacar que não existe a possibilidade de levar o acervo do Memorial nas escolas, devido a questões de transporte e de inviabilidade de transportar a estrutura onde está organizado o Memorial. No entanto, de acordo com as possibilidades de editais, o projeto do Memorial buscará trazer palestrantes indígenas, para que interajam com os estudantes do IFC - campus Rio do Sul e com turmas de outras escolas, que venham a visitar o Memorial, durante a realização dessas atividades. Mesmo diante do aspecto de ação de extensão, o projeto atenderá também os estudantes do IFC - campus Rio do Sul. Constata-se que nos anos anteriores à formalização do projeto de extensão do Memorial Indígena, praticamente não ocorriam visitações de turmas do IFC. A partir do momento que iniciou o projeto, alguns professores se envolveram com a iniciativa e trouxeram estudantes para acompanhar as palestras realizadas no Memorial. No entanto, até o presente momento, o Memorial ainda não recebeu a visitação de turmas da Unidade Urbana do campus, situada próxima da área central de Rio do Sul, com estudantes provenientes de realidades urbanas, diferentemente da maioria dos estudantes da Unidade Sede, oriundos geralmente de comunidades agrícolas. Cabe ponderar, que mesmo havendo o aspecto principal da extensão, essas atividades de ensino são essenciais, pensando na possibilidade de realizar a visitação na Trilha da Sapopema, na Aldeia Bugio, da Terra Indígena Laklãnõ. Além de realizarem a caminhada na mata, em uma trilha ecológica, com falas dos guias indígenas, os educandos terão a oportunidade de visitar o espaço de memória organizado pela comunidade indígena. Fica difícil de mensurar uma quantidade de participantes das atividades, sendo que existe apenas a garantia de uso do ônibus institucional, para levar os alunos de Rio do Sul até a Terra Indígena. No entanto, será preciso que os estudantes se cadastrem em editais de auxílio a viagens técnicas, ou outros existentes, que possibilitem os recursos necessários para viabilizar o pagamento da trilha, com seguro, além da alimentação. Caso se contemple essa possibilidade, outra ideia refere-se a perspectiva dos estudantes do IFC ouvirem a comunidade indígena da Aldeia Bugio, para saber o que essa população tem interesse de receber, em termos de conhecimentos. Desta forma, seria plena a ação de extensão, com os estudantes do IFC recebendo os conhecimentos sobre a história, cultura e tradições indígenas, enquanto os descendentes da população originária também receberiam informações dos alunos, efetivando assim, a troca de saberes, com um olhar de interculturalidade e diversidade étnica e cultural. Cabe destacar que a realização das atividades de extensão contribuirá efetivamente com a perspectiva de contemplar as legislações educacionais existentes, no âmbito da educação para as relações étnico raciais. Portanto, o projeto incentivará na prática o respeito à diversidade étnica e cultural, buscando proporcionar novos olhares sobre a história regional, pautados na empatia e na alteridade. No primeiro semestre de 2026, houve a realização de palestras ministradas para estudantes e servidores do campus Rio do Sul, contemplando as unidades sede e urbana. Essa atividade representou um importante avanço, pois desde o ano de 2022 não ocorriam palestras ministradas por indígenas. Portanto, houve esse avanço significativo, no sentido de oportunizar momentos de extensão, de formação, de forma crítica, refletindo sobre a história regional, em uma perspectiva emancipatória. Pretende-se dar continuidade a esse intercâmbio com os integrantes do povo Xokleng Laklãnõ, considerando-se que todos os alunos que acompanharam as atividades no ano de 2022, já estão formados, por isso as atividades desenvolvidas em 2025, representaram um avanço significativo, em termos de formação complementar dos educandos, considerando-se a legislação nacional que prevê a obrigatoriedade do ensino de temáticas indígenas na escola. No entanto, caso não se organizem atividades, não haverá qualquer punição para uma instituição de ensino, sendo uma legislação que prevê essa situação, mas não ocorre o acompanhamento para saber de fato se essas ações estão ocorrendo. Diante do exposto, o projeto apresenta sua contribuição neste cenário, articulando as atividades de extensão, com o ensino. Futuramente, em um cenário positivo, pretende-se buscar apoio de editais, para viabilizar o pagamento de transporte para trazer estudantes até o IFC - campus Rio do Sul, com intuito de ampliar o alcance deste projeto, sem a dependência da autorização e disponibilização de transporte das redes de ensino, principalmente, municipal e estadual, que contam com muitas demandas e solicitações de viagens, sendo que a visita ao Memorial, precisaria estar previsto no planejamento dos professores, para que ocorra de fato. Em termos de atendimento à comunidade interna, um dos principais avanços refere-se à visitação realizada na Terra Indígena. Com apoio de participantes do projeto e de servidores do campus Rio do Sul, foi feito um deslocamento, passando por Apiúna, Rodeio, Doutor Pedrinho e então chegando na Aldeia Bugio da Terra Indígena. Constatou-se que por esse caminho é seguro levar turmas de estudantes por esse trajeto, que é muito mais seguro, em comparação com a subida e descida da Serra do Bugio, que apresenta uma estrada estreita e com pouca segurança. Inclusive, é inviável utilizar o ônibus maior do IFC na rota, via Serra do Bugio. Cabe destacar que é seguro utilizar o ônibus grande por esse trajeto, sendo possível transportar alunos e servidores até a Aldeia Bugio, onde estão situados os espaços de memória do povo Xokleng Laklãnõ, além da Trilha da Sapopema. No ano de 2026, foi realizada uma reunião entre integrantes do projeto de extensão, professores de disciplinas, como História e Geografia, com a direção do campus. Obteve-se a autorização de utilização do ônibus grande do IFC, para viabilizar o transporte dos estudantes até a Terra Indígena. Essa possibilidade é muito interessante, pois no ano de 2024, por meio de um projeto de ensino houve a visitação de turmas e servidores na Aldeia Bugio. A atividade foi viabilizada por meio de edita da reitoria, usando ônibus de terceiro. O detalhe é que são poucas as empresas que realizam esse trajeto, geralmente, costumam fazer o deslocamento somente até o centro de José Boiteux. O restante do trajeto é feito por uma empresa que tem micros, que atendem os interiores e aldeias. Naquela ocasião, dois micros quebraram, necessitando de socorro. Foram duas horas perdidas devido a esses imprevistos, além da insegurança e estresse em transportar os estudantes nesses micros, em péssimas condições. Esses imprevistos acabaram prejudicando a atividade de visitação ao espaço de memória e de realização da caminhada de uma hora, na Trilha da Sapopema. A partir dessa contextualização, a equipe do projeto buscará formas de viabilizar o pagamento do valor, por pessoa, sendo que o transporte institucional já está garantido, de acordo com as possibilidades orçamentárias do campus, mas ao menos a autorização e o consentimento existem. O próximo desafio é buscar incentivar as turmas a se inscreverem em editais que subsidiem essa visitação, como viagem técnica, ou de acordo com as possibilidades que auxiliem a viabilizar essa ação. Somente com a execução desta parte do projeto, será possível estabelecer um vínculo maior com os indígenas, para ouvir as sugestões das lideranças. Mesmo que seja algo desafiador, que depende de várias circunstâncias, é preciso ter essa meta planejada, para executar esse planejamento. A definição do tema, da proposta, por parte dos indígenas, vai gerar uma ação de extensão de relevante importância, pois não será imposto um assunto, ou atividades. Essa perspectiva de troca de ideias, saberes e conhecimentos poderá representar um marco para o projeto de extensão do Memorial Indígena. Cabe acrescentar ainda a participação em eventos acadêmicos, com a participação do coordenador, da bolsista e de um professor de história do campus, que apresentaram uma comunicação, no evento CIEPE, da Unidavi. Essa apresentação representou uma forma do projeto ir ao encontro da comunidade, ao falar sobre o Memorial, para pessoas que não fazem parte do cotidiano institucional do IFC. A reativação da rede social do projeto também se mostrou uma estratégia importante, pois os estudantes interagem com esse mecanismo, que é algo de interesse da juventude. Além de servir como uma maneira de comprovar a realização das atividades, a página ajuda a contar um pouco da história, das atividades e do processo de organização do Memorial, além de palestras, visitações, entre outras ações que venham a ocorrer. Existe a previsão de organizar uma publicação sobre o Memorial, quando esse espaço de memória completar dez anos de atividades. Nesta perspectiva, a realização de postagens auxiliarão futuramente, no planejamento de temáticas que serão abordadas na futura publicação. Pretende-se manter a mesma bolsista da edição anterior do projeto. Inclusive, a participação de Jaqueline enquanto bolsista representou um fato novo na instituição, pois ela se tornou a primeira bolsista indígena de um projeto de extensão no campus. Trata-se de um fato histórico, observando-se que o campus conta com 31 anos de atividades, somando o período de Escola Agrotécnica, com o tempo enquanto Instituto Federal Catarinense. Deve-se considerar ainda a importância de buscar manter alguns avanços ocorridos, no primeiro semestre de 2026. Destaque para a parceria entre o projeto de extensão com o Neabi do campus. Inclusive, ocorreu a formação de um grupo de trabalho indígena dentro do NEABI, com intuito de pensar possibilidades de atividades, envolvendo servidores, estudantes e comunidade em geral. Conseguiu-se realizar a palestra para os estudantes e a formação para os servidores, com relação à data dos Povos Originários. A proposta para o segundo semestre de 2026 e, consequentemente, para os anos seguintes é organizar um evento aberto a comunidade em geral, abordando a temática do contato de 1914, com a presença de lideranças da comunidade indígena, buscando ressaltar a importância desta data para a história regional. Novamente, a atividade será desenvolvida pelo projeto de extensão, em parceria com o Neabi.
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