Projeto de extensão, IFC
Laboratório de Cultura Educação Profissional e Tecnológica -LABCULT EPT
Descrição
O projeto de Extensão LABCULT EPT - Laboratório de Cultura - Educação Profissional e Tecnológica” pretende atender, em sua primeira etapa, à comunidade acadêmica do campus São Bento do Sul do Instituto Federal Catarinense, mas com vistas a assistir os campi irmãos de nossa macro-região e a comunidade externa. A finalidade primeira deste projeto de extensão se funda na preocupação basilar da formação ominilateral e na observação do espaço-tempo reservado às ações que envolvem as artes em suas múltiplas expressões e em nossa cultura. Observam-se, nos institutos federais, movimentos ainda primários voltados a essas ações, tendo em conta o número de campi. Alguns casos são incipientes, criando, assim, uma lacuna na formação ofertada aos nossos estudantes. As razões são inúmeras para esse cenário, no entanto, a proposta intenciona criar espaço-tempo para vivências artísticas e, contribuir para uma práxis que resulte no ativismo cultural. Por isso, esta proposta caminha rumo ao ideal de preencher esse hiato no desenvolvimento pleno de nossos estudantes para que tenhamos os egressos que objetivamos. Além disso, o campus São Bento do Sul está localizado em um bairro periférico, no qual não há um espaço para a comunidade se engajar em atividades artístico-culturais ou desfrutar delas. Assim, as ações desenvolvidas no laboratório viriam colaborar em suprir essa lacuna. A presente proposta também se ancora na responsabilidade que o Instituto Federal Catarinense - campus São Bento do Sul - como instituição pública, gratuita, inclusiva e de qualidade - tem junto a seu público alvo, os estudantes, e no compromisso com uma formação integral, integrada e omnilateral, o que demanda um esforço em proporcionar espaços propícios para essa formação. Para tanto, se exige um olhar inteiro e não fragmentado para essa formação, o que inclui sair das raias da técnica e tecnologia e ir ao encontro das artes como elementos que propiciem, a esses estudantes, o domínio do seu fazer técnico de forma dialógica. Desse modo, as várias expressões artísticas serão o nosso foco: literatura, música, dança, teatro, cinema e fotografia, como manifestações da subjetividade humana que tecem a construção desse ser inteiro, sempre ligado aos projetos de extensão do campus que abarcam essas áreas. Por meio dos núcleos de cada área, proponentes das ações artísticas, teremos um laboratório que atuará em três frentes: a primeira será a promoção de vivências artísticas direcionadas aos estudantes da instituição; a segunda, a partir dessas proposições, teremos base para implementar a pesquisa aplicada que rege esta proposta e estarão ligadas ao grupo de pesquisa certificados pela instituição Grupo de Estudos e Pesquisas em Práticas Educativas em Educação Profissional e Tecnológica parte do ProfEPT. Como consequência natural dessas ações interdisciplinares, teremos resultados que transbordarão para a comunidade na qual estamos inseridos, incluindo a formação inicial e continuada de professores da rede pública de educação da região, configurando essa a terceira frente. Desse modo, objetivamos a contribuição consistente na formação de trabalhadores conscientes, éticos, críticos e coerentes com sua formação e contribuintes para uma sociedade inclusiva, justa e fraterna. Ao se constituírem os Institutos Federais de Educação, Ciência e Tecnologia, um novo modelo de educação profissional se concretizou. Uma proposta que tem no trabalho um princípio educativo, visando à qualificação profissional em variados níveis e, consequentemente, ao desenvolvimento da classe trabalhadora de um país continental. Para isso, urge o rompimento com paradigmas que não respondem a esses objetivos o que inclui, segundo Frigotto (2018), uma nova lógica pedagógica para atenderem ao ensino técnico profissionalizante integrado ao médio, básico e de nível superior, representa um desafio e uma quebra de paradigmas para o corpo docente e discente e, mais do que isso, de ruptura com práticas pedagógicas marcadas pelo tecnicismo e pelo dualismo educacional.” Tal rompimento seguramente se refere a um processo de longo prazo, pois a educação, particularmente a técnica e a profissionalizante, traz no seu estofo as raízes de um desenvolvimento profissional ligado fortemente à técnica. O rompimento com o pensamento vigente e majoritário que “separa o ensino técnico do propedêutico, e de que apenas o domínio sobre uma área de saber específica é o suficiente.” exige ações efetivas e producentes, com resultados que possam ser disseminados e compartilhados, tendo sempre em conta que somos parte de uma rede de educação profissional. Também buscar desarticular “os aparelhos de hegemonia (que) têm inculcado a ideia à grande parte dos trabalhadores e a seus filhos de que conhecimentos gerais e básicos e disciplinas como história, sociologia, literatura e atividades culturais são perda de tempo”. Esse pensamento, muitas vezes, é encontrado em nosso meio. Posturas com essa perspectiva restringem e invisibilizam as poucas ações que tentam se estabelecer, por meio dos componentes da área de linguagens como literatura, artes, educação física, línguas estrangeiras que, de modo geral, têm cargas horárias respeitando apenas o mínimo dentro do cômputo geral dos cursos do ensino médio integrado. Já as graduações, as engenharias, sobretudo, não contam com disciplinas como filosofia ou sociologia, ou seja, os futuros profissionais não acessam uma formação humanística, ficam desprovidos das sensibilidades que podem ser despertadas por meio das artes, assim se estabelecendo uma formação incompleta. Adicionalmente, é plausível considerar que uma parcela desses profissionais, desprovida de vivências culturais em sua formação, poderá ingressar na docência, perpetuando, assim, a exclusão dessas áreas e contribuindo para a continuidade da lacuna cultural nas próximas gerações. Por outro lado, a Organização Didática do IFC (Resolução nº 10/2021 – CONSUPER) propõe uma “concepção político-pedagógica [...], que desenvolve de forma integrada e verticalizada o ensino, a pesquisa, a inovação e a extensão como atividades constituintes da formação acadêmico-profissional-cidadã com vistas à educação integral, integrada e para o mundo do trabalho em todos os níveis, tipos e modalidades.” Concepção essa propositiva de ações que rompam com o maniqueísmo da técnica pela técnica. Sem embargo, ainda nos defrontamos com essa visão restrita em que os recursos em sua totalidade são direcionados aos laboratórios técnicos com computadores potentes, maquinários, simuladores, equipamentos, ferramentas, isso não significa não serem necessários. O destaque aqui está no fato das manifestações artístico-culturais serem predominantemente desprovidas de recursos para espaços físicos e fomento para a promoção de atividades e ações que possam gerar conhecimento que dê suporte para a formação integral e integrada.
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