Projeto de extensão, IFC
Grafeno: Sintetização de Nanomaterial em Articulação com o Arranjo Produtivo Local
Descrição
O grafeno é um alótropo de carbono digno do Nobel em 2010. Trata-se de um nanomaterial constituído por uma camada bidimensional de átomos de carbono organizados em rede hexagonal, configuração que confere características excepcionais, como elevada condutividade elétrica, aproximadamente 100 vezes superior à do silício, condutividade térmica até dez vezes maior que a do cobre e notável resistência mecânica, com módulo de Young em torno de 1 TPa e tensão máxima de tração de cerca de 130 GPa [1]. Tais atributos o tornam altamente promissor para aplicação em setores diversos, indo da eletrônica e geração de energia à biomedicina, odontologia, construção civil, indústria automobilística e engenharia de materiais. A alotropia do carbono, já conhecida por originar materiais amplamente estudados como diamante, grafite e fulerenos, tem no grafeno uma de suas formas mais recentes e inovadoras. Apesar de suas vantagens competitivas, o grafeno ainda enfrenta dificuldades significativas para produção em larga escala, sobretudo devido às limitações técnicas e aos elevados custos associados aos processos de síntese. Nesse contexto, a técnica de PECVD desponta como alternativa estratégica, pois permite aliar o controle de camadas característico do CVD às condições menos rigorosas de temperatura e pressão viabilizadas pela assistência por plasma. Enquanto o CVD convencional pode demandar temperaturas da ordem de 1000°C [6], o PECVD possibilita a síntese em faixas entre 600 e 700°C, tornando o processo mais acessível, sustentável e eficiente. Essa abordagem atende não apenas à necessidade de redução de custos, mas também à de ampliar a aplicabilidade do grafeno em escala acadêmica, industrial e tecnológica. A relevância do grafeno também se insere na agenda de sustentabilidade, uma vez que suas propriedades podem contribuir para soluções de maior eficiência energética, durabilidade de materiais e redução de impactos ambientais em diferentes setores produtivos. Na construção civil, por exemplo, a incorporação do grafeno em concretos e revestimentos pode gerar maior resistência mecânica com menor uso de matéria-prima; na área odontológica, pode favorecer o desenvolvimento de materiais biocompatíveis e mais duráveis para restaurações e implantes; já em setores como a energia, a eletrônica e a mobilidade, abre caminho para baterias mais leves, dispositivos semicondutores mais eficientes e veículos com componentes de maior desempenho. Dessa forma, a disseminação de tecnologias baseadas em grafeno contribui para a consolidação de práticas industriais mais sustentáveis e inovadoras. Considerando o papel estratégico do Instituto Federal Catarinense – Campus Luzerna, o projeto em desenvolvimento no Laboratório de Ensaios Mecânicos e Metalúrgicos (LABEMM) dedica-se à construção de uma câmara para síntese de grafeno pelo método PECVD. A proposta tem caráter inovador e extensionista, ao promover tanto a pesquisa acadêmica quanto a interação com empresas parceiras, como a Odeme Dental Research, voltada ao setor médico-odontológico. O desenvolvimento da câmara de síntese de grafeno pelo método PECVD no LABEMM representa, assim, um passo fundamental para o avanço do conhecimento científico e tecnológico na área de materiais avançados. Além de viabilizar a produção de grafeno em condições mais acessíveis, o projeto busca contribuir para a padronização de metodologias, ampliar a disponibilidade do nanomaterial para fins de pesquisa e fomentar aplicações práticas junto ao arranjo produtivo local. Espera-se, desse modo, que a iniciativa reforce o papel da instituição no cenário acadêmico e industrial, favorecendo a formação de recursos humanos qualificados, o fortalecimento da inovação e a difusão do grafeno como material estratégico para a ciência e a tecnologia.
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