Projeto de pesquisa, IFRS
MÁQUINAS SEMIÓTICAS E MÁQUINAS DE CAPTURA: A INDIVIDUALIZAÇÃO DO SOFRIMENTO PSÍQUICO COMO EXPRESSÃO DA MICROPOLÍTICA DO FASCISMO
Descrição
A presente proposta pretende experimentar a individualização do sofrimento psíquico como máquina de captura que, operando por meio de máquinas semióticas, impõe regimes dogmáticos cujo efeito é a doença, dissolve a dimensão do comum, neutraliza as linhas de fuga como vetores de criação de modos de existência e se constitui como expressão da micropolítica do fascismo. O projeto decorre das repercussões de uma tese de doutoramento e das investigações subsequentes que identificaram, no transcurso de pesquisa em desenvolvimento, uma vereda promissora entre o microfascismo contemporâneo e as técnicas de individualização do sofrimento psíquico. De natureza exclusivamente filosófica e com apoio bibliográfico, a pesquisa mobiliza como referências primárias os escritos de Friedrich Nietzsche, Gilles Deleuze e Félix Guattari, especialmente Mil platôs e O anti-Édipo, além das obras clínicas de Guattari, nas quais o sintoma como produto social e coletivo encontra sua formulação mais precisa. O percurso teórico-metodológico organiza-se em torno de três movimentos articulados: a redescrição do conceito de máquina semiótica, a partir da crítica nietzschiana à metafísica e à moral; a redescrição do conceito de máquina de captura, rastreando sua operação como reterritorialização que bloqueia a multiplicidade e neutraliza as linhas de fuga; e a desterritorialização da individualização do sofrimento psíquico como campo de operação dessas máquinas, problematizando de que modo os pressupostos dogmáticos dissolvem a dimensão do comum e se constituem como expressão contemporânea da micropolítica fascista. A pesquisa adota a experimentação como postura filosófica, no sentido nietzschiano dos filósofos do futuro — críticos de corpo e alma que se servem do experimento num sentido novo, mais amplo e mais perigoso —, recusando tanto a teleologia metodológica quanto a resignação ao momento negativo, e apostando na criação de linhas de fuga que ampliem o rizoma e afirmem a potência da vida.
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