Projeto de pesquisa, IFRS
A influência da Reputação Executiva na sensibilidade do pagamento por desempenho de Empresas Brasileiras
Descrição
A remuneração dos executivos está novamente na mídia, seja por conta de fraudes , seja por conta do nível excessivo dela. Essa remuneração deveria estar alinhada com o desempenho da empresa, porém estudos tem evidenciado uma relação fraca entre eles. O debate sobre remuneração executiva permanece ainda incompreendido e inconclusivo, revelando que o tema merece ser investigado, especialmente por perspectivas teóricas múltiplas e metodologias inovadoras. A Teoria de Agência tem sido a fundação teórica popular em examinar questões da remuneração executiva vinculando-a ao desempenho da empresa, cujo propósito é de motivar os executivos (CEOs) a se concentrarem na maximização do valor para os acionistas, reduzindo a ameaça do oportunismo por parte dos executivos. Desta maneira, os pacotes ou planos de remuneração são desenhados para premiar executivos pelo seu desempenho, isto é, pagamento por performance, na qual são compostos, basicamente, por itens monetários. Esses tipos de contratos de incentivos de pagamento por desempenho, denominado de sensibilidade de pagamento por desempenho, entretanto, têm falhado em documentar uma consistente e robusta relação. Se por um lado a sensibilidade na relação pagamento por performance tem sido baixa, por outro lado o crescente nível da remuneração dos executivos e os escândalos envolvendo fraudes para obter ganhos maiores nas remunerações, tem colocado em xeque não somente a abordagem do contrato ótimo, mas também a utilização somente variáveis pecuniárias. Diante dessa relação incompreendida sobre o nível apropriado de pagamento aos executivos e o desempenho de suas empresas, pesquisadores tem destacado a necessidade de ter um arcabouço que incorpora constructos de diversas perspectivas, sugerindo que há diversos fatores não identificados que podem influenciar a remuneração dos executivos, tais como fatores externos, pessoais e contextuais. Assim, a remuneração por desempenho, embora considerada direta, estaria sendo influenciada e, consequentemente moderada, por outros fatores que não foram considerados nos modelos propostos até então. A abordagem da força gerencial, proposta por Bebchuk, Fried e Walker (2002), fornece uma visão alternativa a teoria convencional (contratos), onde os executivos detêm força para influenciar os determinantes de sua remuneração e usam isto para alcançar ganhos maiores. Isto sugere que há diversos fatores não identificados que podem influenciar a remuneração, tal como o mercado de trabalho (Hambrick, Finkelstein e Mooney, 2005) e, em particular, o prestígio do executivo (Funchal, 2005). A reputação executiva emergiu como um campo relevante da pesquisa em administração e comportamento organizacional a partir do momento em que acadêmicos e profissionais passaram a reconhecer que a figura dos líderes exerce influência direta na credibilidade, no desempenho e na legitimidade das organizações. No que tange a remuneração, Funchal (2005), evidencia-se que a composição dos valores que um executivo recebe por sua posição, inclui além da remuneração monetária outros elementos não-monetários, tal como o seu prestígio. No Brasil, o prestígio do executivo ainda não foi estudado como um determinante da remuneração dos executivos. Essa tese tem como objetivo expandir os estudos sobre a sensibilidade da remuneração dos executivos por desempenho, baseados nas abordagens do contrato ótimo e habilidades gerenciais, utilizando uma variável não-pecuniária nessa relação, considerando-a como um ativo econômico: a reputação do executivo.
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