Projeto de pesquisa, IFRS
Estado, violência e as margens: um estudo sobre a atuação das lideranças comunitárias no bairro Restinga
Descrição
O objetivo geral desta pesquisa é compreender as atuações de lideranças comunitárias no enfrentamento à violência contra as mulheres na Restinga, atentando para a coprodução entre gênero e Estado nos processos de legibilidade estatal. O bairro Restinga, localizado no Extremo Sul da capital do Rio Grande do Sul, é um território chave para a compreensão do fenômeno da violência contra a mulher na cidade e no Estado. A necessidade de compreender essa dimensão justifica-se por diálogos tecidos com agentes da polícia vinculados a Polícia Civil do Estado do Rio Grande do Sul, que apontam que existem peculiaridades no bairro no que diz respeito a Lei Maria da Penha. Os relatos indicam, ainda, que há muitos registros de ocorrências relacionadas à violência contra a mulher. Essa dimensão dos registros de ocorrência e as hipóteses levantadas nos movem para a compreensão do surgimento deste bairro que possui 60.729 habitantes, conforme dados do censo de 2010. A Restinga surge em meados dos anos 60, devido a processos de remoção de grupos populacionais que habitavam o centro da cidade e são removidos para esta área que antes era rural. É dessa ação de higienização que o bairro surge e com moradores tentando conciliar processos de estigmatização vinculados ao território e de constituição de redes de vizinhança e acolhimento com o novo lugar a ser habitado (Gamalho, 2009, 2010). Esta breve contextualização do bairro nos ajuda a tecer o objetivo deste trabalho, visto que traz pistas acerca do protagonismo da comunidade e de lideranças comunitárias no processo de constituição das possibilidades de vida no bairro. Para este projeto, nos interessa identificar como esse protagonismo se relaciona com a dimensão dos registros da violência doméstica. Interessa-nos, também, compreender qual a relação entre a atuação de lideranças e associações comunitárias e o suposto elevado índice de registros de ocorrência de violência contra as mulheres no bairro Restinga. Além disso, nos aprofundaremos em como essas lideranças comunitárias atuam nas redes de apoio às mulheres vítimas de violência, borrando, inclusive, fronteiras entre estado e margem, como atuação em redes de proteção, cuidado e abrigo. Essas indagações se mostram como relevantes para compreender a dinâmica do bairro e de extrema importância para o campo das Ciências Sociais, visto que traz articulações entre os campos da Antropologia do Estado e dos estudos sobre violência, em específico sobre violência contra as mulheres. . Para alcançarmos os objetivos propostos, lançaremos mão de uma pesquisa qualitativa. A proposta deste estágio pós-doutoral envolve um trabalho de finalização do trabalho de campo das entrevistas com as lideranças comunitárias e a análise dessas narrativas. Em termos práticos, o processo de finalizar o campo ocorrerá nos primeiros meses. Durante e após essa etapa, pretendo me aproximar das pesquisas e estudos sobre gênero, com enfoque especial nos estudos sobre ativismo de mulheres e mobilizações sociais. Ao final da etapa de análise de dados e costuras teóricas, pretendo desenvolver um material para realizar a devolução dos dados para as mulheres entrevistadas.
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