Projeto de pesquisa, IFRS
UTILIZAÇÃO DE PLATAFORMAS ADAPTATIVAS NA EDUCAÇÃO – Fase III: desenvolvimento, integração e avaliação de ambiente Moodle adaptativo gamificado para Biologia I no Ensino Médio Integrado
Descrição
Este projeto constitui a terceira fase de uma linha de investigação iniciada em 2024 no IFRS Campus Viamão, dedicada ao desenvolvimento e à avaliação do uso do Moodle como plataforma adaptativa para o ensino de Biologia I no Ensino Médio Integrado. Enquanto as fases anteriores concentraram-se na exploração de modelos disruptivos de ensino híbrido (Fase I) e na implementação de trilhas de aprendizagem adaptativas com acompanhamento por learning analytics (Fase II), a Fase III avança sobre esse percurso com um objetivo central: avaliar o impacto de um ambiente Moodle configurado como plataforma adaptativa gamificada — fundamentado nos princípios do Desenho Universal para a Aprendizagem (DUA), integrado aos recursos pedagógicos produzidos nas fases anteriores e nos projetos concomitantes, e monitorado por learning analytics — sobre a aprendizagem significativa, o engajamento e a permanência de estudantes de Biologia I do Ensino Médio Integrado do IFRS Campus Viamão. A justificativa científica do projeto assenta-se em uma lacuna empiricamente documentada por uma Revisão Sistemática de Literatura (RSL) conduzida pela equipe: de 238 estudos internacionais que utilizam simultaneamente Moodle e learning analytics, apenas 1,7% implementaram adaptação pedagógica efetiva no nível do ensino secundário ou da Educação Profissional e Tecnológica . A Fase III posiciona-se, portanto, em uma fronteira científica ainda pouco explorada, com alto potencial de contribuição original.O ambiente Moodle a ser avaliado integra, em um único espaço coeso, os recursos pedagógicos produzidos em duas frentes concomitantes: o projeto Inclusão Digital — Fase II, que desenvolve atividades gamificadas acessíveis baseadas no DUA, e o projeto Observatório de Biologia, que produz Recursos Educacionais Abertos para o ensino de Biologia com base na tríade Design Thinking, Cultura Maker e STEAM. Essa integração — e a coleta sistemática de dados sobre seus efeitos com estudantes reais — constitui o objeto específico desta fase. O design instrucional das trilhas adota o Modelo Virtual Enriquecido de ensino híbrido, articulando aulas presenciais conduzidas pelo professor regente com atividades adaptativas autônomas no Moodle, organizadas em trilhas de Retomada, Prática e Ampliação e em um cardápio multimodal denominado "Escolha a sua rota de estudo". A fundamentação teórica articula cinco referenciais complementares: o Desenho Universal para a Aprendizagem como eixo central e princípio organizador do design instrucional; a Teoria da Aprendizagem Significativa de Ausubel (2003), que fundamenta a progressão dos conteúdos e o diagnóstico de conhecimentos prévios; a Teoria da Autodeterminação, que fundamenta as estratégias de gamificação; a Teoria da Mediação, que enquadra o papel das TDIC como ferramentas mediadoras da aprendizagem; e o Learning Analytics, que transforma os dados de interação no Moodle em evidências para a personalização do percurso e a avaliação do impacto da intervenção. A metodologia adotada é a pesquisa-ação, de abordagem mista, organizada em cinco fases ao longo de doze meses (setembro de 2026 a agosto de 2027): diagnóstico e formação da equipe; integração e configuração do ambiente Moodle; aplicação das trilhas e coleta de dados; análise e sistematização dos resultados; e disseminação. Os dados serão coletados por meio de pré-testes e pós-testes, questionários de perfil, learning analytics gerado pelo Moodle, grupos focais com estudantes e diário de campo. A análise será quantitativa — ganho conceitual, taxas de conclusão e padrões de acesso — e qualitativa — análise de conteúdo temática das percepções dos estudantes e do professor regente. O projeto conta com a colaboração do professor regente de Biologia I e, no plano internacional, com o Centro de Recursos para a Inclusão Digital (CRID) do Instituto Politécnico de Leiria, Portugal, especializado em acessibilidade digital e educação inclusiva. Ao final dos doze meses de execução, espera-se ter produzido: evidências empíricas sobre o impacto das trilhas adaptativas gamificadas no desempenho, no engajamento e na permanência dos estudantes; um ambiente Moodle plenamente configurado e documentado para replicação em outros componentes curriculares e campi da Rede Federal; um relatório técnico detalhado; e um artigo científico submetido a periódico nacional da área de Educação ou Informática na Educação. A formação das duas bolsistas em design instrucional, produção de recursos pedagógicos digitais acessíveis e coleta e análise de dados educacionais constitui resultado adicional relevante, contribuindo para a formação de recursos humanos qualificados na interseção entre educação, tecnologia e inovação pedagógica.
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