Projeto de pesquisa, IFAL
Violência Simbólica e Cibercultura: Uma Análise Filosófica da Normalização do Machismo e da Misoginia nas Redes Sociais DISCURSOS CONTEMPORÂNEOS
Descrição
A contemporaneidade assiste a uma reconfiguração profunda do espaço público e das dinâmicas interacionais pela emergência da cibercultura e pela ubiquidade das redes sociais. Sob o escrutínio filosófico crítico, essas arquiteturas tecnológicas revelam-se como arenas de disputa narrativa reguladas por lógicas algorítmicas e regidas pela economia da atenção. Nesse cenário, o presente projeto de pesquisa propõe um exame analítico rigoroso de um dos fenômenos mais deletérios dessa ecologia midiática: a proliferação sistêmica e a subsequente normalização dos discursos machistas e misóginos no ambiente virtual. A investigação parte da premissa de que a violência de gênero digital não constitui um epifenômeno episódico, mas uma sofisticada atualização tecnológica de estruturas arcaicas de opressão social. A ocultação dessas assimetrias viabiliza-se pelos mecanismos da violência simbólica, que convertem o ódio interacional em um simulacro comportamental aceitável, frequentemente chancelado sob o manto discursivo de uma pretensa liberdade de expressão. Diante da capilaridade dos fluxos digitais, a pesquisa delimita seu problema central: sob a ótica da filosofia contemporânea e das teorias de gênero, quais condições socioculturais e algorítmicas viabilizam a legitimação da misoginia online, e quais são os impactos ético-morais dessa normalização para a consolidação do desenvolvimento sustentável? Como objetivo geral, busca-se investigar as engrenagens discursivas que sustentam a complacência social a tais manifestações, mapeando fatores históricos e sociotécnicos que convertem as plataformas em vetores de reificação da opressão. Pretende-se catalogar as tipologias de discursos misóginos e, de modo imperativo, articular o combate a essa patologia digital com as metas civilizatórias da Agenda 2030 da Organização das Nações Unidas (ONU), conferindo ênfase basilar ao ODS 5 (Igualdade de Gênero) e ao ODS 16 (Paz, Justiça e Instituições Eficazes), visto que a insustentabilidade democrática contemporânea vincula-se indissociavelmente à degradação ética tolerada no ciberespaço. O estofo teórico-conceitual ancora-se em uma constelação filosófica robusta: a epistemologia feminista de Simone de Beauvoir mobiliza a tese da alteridade para decifrar a subalternidade feminina historicamente sedimentada; a analítica do poder de Michel Foucault, por meio dos conceitos de microfísica e dispositivos de controle, permite apreender as redes sociais como teias panópticas de exercício disciplinar; e as reflexões de Byung-Chul Han sobre a psicopolítica evidenciam como o imperativo do hiperengajamento converte a espetacularização do ódio em ativos econômicos rentáveis, operando uma violência neuronal que anestesia a empatia. Metodologicamente, o estudo inscreve-se no escopo de uma pesquisa qualitativa, de natureza exploratório-bibliográfica, pautada pela análise de conteúdo temática. O itinerário compreende o mapeamento da literatura especializada indexada em repositórios de excelência científica, seguido pelo tratamento hermenêutico dos núcleos de sentido extraídos de interações sociodigitais. Através das etapas de pré-análise, exploração do material e inferência interpretativa, os postulados filosóficos serão tensionados face às manifestações da cibercultura. Ao cabo, o projeto, desenhado para o Programa de Iniciação Científica no Ensino Médio (PIBIC-EM) do Instituto Federal de Alagoas (IFAL), almeja transcender a diagnose superficial para oferecer uma hermenêutica da crise relacional no ciberespaço. A proposição última é atestar que a edificação de uma sociedade genuinamente sustentável, equânime e pacífica pressupõe, como condição sine qua non, a desarticulação da violência simbólica e a garantia inegociável de um ecossistema digital balizado pela dignidade humana.
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