Projeto de extensão, UEMASUL
DIAGNÓSTICO SOCIOAMBIENTAL PARTICIPATIVO: ESTUDO DE CASO DO RIACHO QUE ATRAVESSA A VILA VITÓRIA – MA (EDITAL Nº 09/2025-PROEXAE/UEMASUL)
Descrição
Os riachos possuem um papel fundamental no que diz respeito à biodiversidade e qualidade de vida, pois integram o espaço natural ao espaço construído, funcionando como corredores ecológicos e ao mesmo tempo como recursos hídricos de uso coletivo. Riachos urbanos, quando bem manejados, contribuem para a valorização estética e cultural dos bairros, oferecendo áreas de lazer, contemplação e convívio comunitário. A presença de cursos d’água em áreas densamente povoadas inicialmente pode configurarse como um fator positivo para a qualidade de vida urbana, fornecendo funções ecológicas como regulação climática e manutenção da biodiversidade local (Rodrigues et al., 2024). Contudo, o que se observa na maioria dos casos é um processo contínuo de degradação desses riachos urbanos, marcado pela poluição e pela crescente impermeabilização do solo que alimenta esses corpos hídricos. Essa realidade agrava a vulnerabilidade socioambiental da população, que convive nesse ambiente sem entender os reais riscos que podem trazer à saúde, transformando o que poderia ser um recurso de valor ecológico e cultural em uma ameaça à saúde pública e à segurança dos moradores (Ferreira et al. s.d). Sob essa perspectiva, no bairro Vila Vitória, o lançamento irregular de efluentes domésticos e resíduos sólidos no Riacho Cacau contribui para a deterioração da qualidade da água, favorecendo a proliferação de vetores de doenças, como mosquitos e roedores. No que se refere à fauna, os impactos decorrentes da urbanização são igualmente severos. A canalização e retificação do Riacho que atravessa a Vila Vitória, aliadas à poluição e à perda de vegetação, reduzem a qualidade da água, a disponibilidade de abrigo, alimento e rotas de deslocamento para espécies aquáticas e terrestres. Conforme, Marques e Cunico (2021), as consequências dessas mudanças no corpo hídrico, ocorre, por exemplo, a extinção local de espécies de peixes, acompanhada por um processo de homogeneização faunística, no qual apenas espécies mais resistentes à degradação conseguem permanecer vivas no ambiente. A paisagem, por sua vez, sofre transformações visíveis e simbólicas. O mau cheiro, o acúmulo de lixo nas margens do riacho e o aspecto deteriorado da vegetação modificam a percepção da população sobre o curso d’água, levando a um distanciamento afetivo, tirando a sensação de pertencimento, e à redução de iniciativas comunitárias voltadas para a sua preservação. Nesse sentido, perde-se a oportunidade de união entre ambiente natural e social, e a paisagem urbana passa a refletir não apenas problemas ambientais, mas também desigualdades sociais e falhas de gestão pública (Calvacanti et al., 2018). Portanto, a reabilitação do riacho que passa por dentro da Vila Vitória se torna essencial, podendo constituir um elemento recreativo e de valorização cultural do bairro, convertendo-se em um espaço valorizado e contribuindo com a qualidade de vida dos moradores.
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