Projeto de extensão, UEMASUL
CAPACITAÇÃO TÉCNICA DE PRODUTORES RURAIS NA SELEÇÃO DE TOUROS REPRODUTORES (EDITAL Nº 09/2025-PROEXAE/UEMASUL)
Descrição
A pecuária bovina desempenha um papel essencial na economia do Brasil, sendo o país um dos líderes mundiais na produção e exportação de carne (SEVERINO, 2024). Para atender à crescente demanda, tanto no mercado interno quanto no externo, a eficiência reprodutiva do rebanho torna-se um fator determinante para garantir produtividade e rentabilidade no setor (SEVERINO, 2024; CONAFER, 2024). Nesse cenário, o touro reprodutor assume grande importância, pois enquanto cada vaca pode gerar apenas um bezerro por ano, um único touro tem capacidade de fecundar de 20 a 50 fêmeas no mesmo período (VAN EMON; BUCK; HAMMOND, 2019). Dessa forma, a fertilidade do touro exerce um impacto multiplicador direto sobre os índices produtivos do rebanho (CHENOWETH et al., 2010). O estado do Maranhão apresentou crescimento de 24,4% na produção animal em 2023, gerando a receita de 1,2 bilhão de reais. A bovinocultura leiteira foi o principal destaque, representando 72,3% dessa receita (IMESC, 2024). No mesmo ano, o rebanho bovino maranhense teve aumento de 7,4%, ultrapassando 10 milhões de cabeças (IMESC, 2024). Apesar da evolução do rebanho e do potencial econômico da atividade, a pecuária do estado enfrenta grandes desafios, especialmente entre os pequenos produtores. Nesse contexto, a extensão rural exerce um papel fundamental ao promover o compartilhamento de conhecimentos técnicos, contribuindo para a melhoria da produtividade e rentabilidade nas propriedades de pequeno e médio porte (FREITAS et al., 2021). A produtividade da pecuária está diretamente relacionada à fertilidade do rebanho, qualidade genética dos animais e adoção de boas práticas de manejo. Diante disso, a seleção criteriosa de reprodutores representa um ponto estratégico e decisivo para o sucesso dessa atividade (RIBEIRO FILHO, 2023). O desempenho reprodutivo do touro depende não apenas de um sistema reprodutivo saudável, mas também de boas condições físicas, como visão adequada e estrutura musculoesquelética firme, que permitam ao animal localizar e montar as fêmeas de forma eficiente (CHENOWETH et al., 2010; VAN EMON; BUCK; HAMMOND, 2019). Animais com limitações físicas ou problemas reprodutivos podem comprometer significativamente a produção de bezerros, causando prejuízos que podem variar de 25 a 80 nascimentos a menos por estação de monta (SEVERINO, 2024). Por esse motivo, a seleção criteriosa de touros com alto potencial reprodutivo é fundamental para alcançar melhores resultados zootécnicos e reduzir custos de produção (FONSECA et al., 1997). Uma ferramenta essencial para essa seleção é a Avaliação de Sanidade Reprodutiva, conhecida como Breeding Soundness Evaluation (BSE). Este exame é prático, rápido e de baixo custo, sendo amplamente utilizado para avaliar a aptidão dos touros antes da venda ou do uso na estação de monta (EM), além de auxiliar na investigação de casos de infertilidade (CHENOWETH et al., 2010). Recomenda-se que a avaliação seja realizada entre 30 e 60 dias antes do início da EM, garantindo tempo suficiente para corrigir eventuais problemas ou substituir animais que não atendam aos requisitos necessários (VAN EMON; BUCK; HAMMOND, 2019). O procedimento envolve a análise detalhada do estado geral do touro, incluindo um exame físico completo, a avaliação do trato reprodutivo interno e externo, além da coleta e análise do sêmen (CHENOWETH et al., 2010; VAN EMON; BUCK; HAMMOND, 2019). Durante o exame físico, é possível identificar problemas que afetam diretamente a capacidade reprodutiva, como deficiências na visão, alterações dentárias, lesões nos pés e pernas, além de avaliar a condição corporal, que influencia a qualidade do sêmen e a resistência do animal durante a monta (CHENOWETH et al., 2010; VAN EMON; BUCK; HAMMOND, 2019). Entre os parâmetros avaliados, a medição da circunferência escrotal se destaca por ser simples de realizar, ter alta herdabilidade e forte relação com a produção e qualidade espermática (CHENOWETH et al., 2010; RODNING et al., 2021). Além disso, a circunferência escrotal está associada à precocidade sexual das filhas do touro, tornando-se um critério importante para o melhoramento genético e a otimização do desempenho reprodutivo do rebanho a longo prazo (CHENOWETH et al., 2010; RODNING et al., 2021). A análise do sêmen complementa a avaliação, permitindo examinar fatores como motilidade, morfologia e concentração espermática, que são determinantes para a capacidade fecundante do macho (CBRA, 2013). Diante da relevância da avaliação de touros sob os índices reprodutivos do rebanho de bovinos, o presente estudo tem como objetivo destacar os principais aspectos da avaliação física e andrológica de touros comerciais, evidenciando sua importância como ferramenta estratégica na escolha de reprodutores com elevada capacidade reprodutiva, visando potencializar os índices zootécnicos e aumentar a lucratividade das propriedades rurais da região (SEVERINO, 2024).
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