Projeto de pesquisa, UFABC
A Percepção Pública Brasileira sobre as interações entre as Regiões Polares, o Oceano, as Mudanças Climáticas e a Geopolítica
Descrição
As regiões polares (RP) ocupam papel importante na regulação do clima no planeta, servindo como reguladores da temperatura e demais aspectos físicos do oceano e da atmosfera. Esse conceito se reforça, por exemplo, pela recente junção do Centro Colaborativo da Década para a Região do Oceano Austral ao ecossistema global da Década do Oceano (2021-2030), para coordenar esforços internacionais para a proteção e conservação do Oceano Austral. Embora geograficamente remotas dos principais centros populacionais humanos, as RP são centros-chave de ação para os principais aspectos do sistema climático global. Os mares ao redor da Antártida são um importante regulador das concentrações atmosféricas globais de calor e CO2 (Hu et al., 2022). A perda de gelo marinho do Ártico afeta intensamente as condições climáticas da Terra (Smith et al., 2022). A perda de camadas de gelo polares é a principal fonte de incerteza nas estimativas de futuras mudanças globais no nível do mar. (Collins, 2024). Também são exemplos a previsão de aumento da temperatura atmosférica de 7 °C a 8 °C para o Ártico (Jornal da USP, 2024), e o “esverdeamento” da Antártica nas últimas décadas (Roland et al., 2024). Além dos aspectos climáticos, a geopolítica das regiões também tem sofrido mudanças, por exemplo, uma cobertura menos extensa de mar congelado abre novas rotas marítimas na região. Segundo o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC, 2023), muitas mudanças estão ocorrendo mais rapidamente do que o previsto anteriormente e muitas das consequências mais graves estão ligadas a mudanças sem precedentes no Ártico e na Antártica. Há urgência de compreender as consequências de uma mudança tão rápida nas RP para o clima global, a biodiversidade e as sociedades humanas. O 5º Ano Polar Internacional (IPY, da sigla em inglês), que acontecerá em 2032-2033, impõe à comunidade científica a necessidade urgente de investigação coordenada em grande escala sobre as mudanças polares e globais. A relação das RP com o oceano já estão subentendidas pela comunidade científica, haja vista a posição de destaque que a Década do Oceano ocupa pela organização do 5º IPY (Fig. 1). O 5º IPY organiza-se em três fases: planejamento (2022-2025), projeto (2026-2033) e legado (2034+). A educação e a divulgação científicas ocuparão papel essencial nesse processo. Um dos princípios do 5º IPY é “Incentivar a comunicação científica eficaz e inclusiva, a educação polar e engajamento público, tanto nas RP quanto globalmente.” (IPY Secretariat, 2024).
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