Projeto de pesquisa, UFAL
Emergências climáticas e equidade em saúde: análise documental e territorial sobre vulnerabilidades em Arapiraca/AL
Descrição
As emergências climáticas têm produzido impactos significativos sobre as condições de vida, saúde e organização dos territórios, afetando de forma desigual populações socialmente vulnerabilizadas. Eventos como secas prolongadas, calor extremo, chuvas intensas, insegurança hídrica e expansão de arboviroses tendem a atingir com maior intensidade territórios marcados por desigualdades sociais, precariedade urbana, limitações de infraestrutura e dificuldades de acesso às políticas públicas. Nesse contexto, o debate sobre equidade em saúde, justiça climática e vulnerabilidades socioambientais tem ganhado destaque nas discussões sobre saúde coletiva e organização do Sistema Único de Saúde (SUS). O presente projeto tem como objetivo analisar como emergências climáticas aprofundam desigualdades territoriais e vulnerabilidades socioambientais, impactando desigualmente grupos e territórios socialmente vulnerabilizados no município de Arapiraca/AL. Trata-se de pesquisa qualitativa, exploratória e descritiva, desenvolvida por meio de revisão bibliográfica, análise documental e análise territorial de indicadores públicos relacionados às emergências climáticas e às vulnerabilidades socioambientais. Serão utilizadas produções científicas, documentos institucionais e bases de dados públicas, incluindo informações do Ministério da Saúde, DATASUS, IBGE, SINAN, SNIS, INMET e CEMADEN. A pesquisa será fundamentada na perspectiva crítica da determinação social da saúde, compreendendo o território como espaço socialmente produzido e atravessado por desigualdades históricas. No contexto local, Arapiraca/AL apresenta características territoriais relevantes para análise das relações entre emergências climáticas, desigualdades socioambientais e equidade em saúde. O município possui importante expansão urbana, extensas áreas rurais, territórios periféricos e comunidades tradicionais, convivendo com desigualdades relacionadas às condições de infraestrutura urbana, saneamento básico, abastecimento de água e acesso aos serviços públicos. Além disso, populações historicamente vulnerabilizadas, como comunidades rurais, remanescentes quilombolas, população em situação de rua e moradores de áreas periféricas, tendem a apresentar maior exposição aos riscos ambientais e menor acesso às condições de proteção social e cuidado em saúde. Serão analisados indicadores relacionados à ocorrência de arboviroses, saneamento básico, abastecimento de água, cobertura da Atenção Primária à Saúde, áreas periféricas e rurais, além de eventos relacionados à estiagem, calor extremo e alagamentos. A partir da sistematização dos dados será elaborado mapa temático das vulnerabilidades socioambientais do município, permitindo identificar áreas mais suscetíveis aos impactos das emergências climáticas. Espera-se contribuir para fortalecimento das discussões sobre equidade em saúde, justiça climática, vigilância em saúde e planejamento territorial no âmbito do SUS, subsidiando reflexões sobre populações vulnerabilizadas e os desafios impostos pelas mudanças climáticas em contextos locais, bem como possibilitar produção científica, através da produção de 01 (um) artigo e socialização acadêmica dos resultados. Palavras-chave: Emergências climáticas. Justiça climática. Populações vulnerabilizadas. Equidade em saúde. Território.
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