Projeto de pesquisa, UFAL
Das duas décadas de saberes e memórias ao Museu Digital da Enfermagem (MuDE) em Arapiraca
Descrição
A presente pesquisa é uma continuação do projeto “Funcionamento discursivo na história de um curso de enfermagem: duas décadas de saberes e memórias” [PIBIC 2025-2026]” e se inscreve na interface enfermagem e discurso, pondo em relação a História da Enfermagem e os dispositivos teórico-metodológicos da Análise do Discurso, de filiação francesa. A pesquisa será realizada no período de setembro de 2026 a agosto de 2027. Parte, especificamente, das duas décadas do Curso de Enfermagem da Universidade Federal de Alagoas/Campus Arapiraca, de onde se propõe a contribuir para os estudos em História da Enfermagem a partir das noções discursivas de memória e arquivo, considerando as primeiras décadas do referido Curso, com base em um estudo documental, de abordagem qualitativa. Segundo Santos; Lira e Nascimento (2009, p.21), “o cuidado em reunir documentos é uma preocupação presente, mediante a necessidade de preservação da memória coletiva da sociedade”. Oguisso (2007) lembra que “a História da Enfermagem, ou seja, o estudo sobre o fenômeno de cuidar, como atividade, fato ou ideia, surgiu apenas em meados do século XIX, em especial, pelas mãos de historiadores anglosaxões (p.X). No caso brasileiro, a maioria dos estudos que se debruçam sobre esta temática se situam na região sul e sudeste. Inicialmente considerada como disciplina, a História da Enfermagem, enquanto área de pesquisa em Enfermagem tem se consolidado, estando vinculada à História, Sociologia, Antropologia e Psicologia. Partimos também dos pressupostos apresentados/formulados por Michel Pêcheux (2011), que põe em questão a historicidade da memória, na qual incide a atuação dos efeitos interdiscursivos (a exemplo do pré-construído), no interior de uma dada formação histórico-social. Com base em Pêcheux, Zoppi-Fontana (2002) considera o conceito de memória discursiva “para designar as redes de filiação histórica que organizam o dizível, dando lugar aos processos de identificação a partir dos quais o sujeito encontra evidências que sustentam/permitem seu dizer” (p.178). No dizer de Orlandi (2003), o arquivo é compreendido como memória institucionalizada, estabilização e atestação de sentidos que produz um efeito de fechamento. Tais noções têm sido retomadas, enquanto entremeio na interface da História da Enfermagem com a Análise do Discurso, para a criação do primeiro Museu digital da Enfermagem em Alagoas. No estudo anterior, mobilizamos a noção de arquivo para orientar a construção dos dispositivos de análise, o que requisitou uma aproximação com o discurso digital, bem como com as temáticas interseccionais, o que excedia aos propósitos do estudo inicial.
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