Projeto de pesquisa, UFAL
PSICOLOGIA ESCOLAR E EDUCACIONAL E JUVENTUDES EM CONTEXTOS INTERIORANOS: INTERSECÇÕES ENTRE RAÇA, CLASSE, GÊNERO, SEXUALIDADE E TERRITÓRIO
Descrição
O presente projeto de pesquisa tem como objetivo geral compreender as intersecções e os sistemas de opressões articulados entre as categorias de raça, classe, gênero, sexualidade e território presentes nos estudos e parâmetros em psicologia escolar e educacional no âmbito das juventudes em contextos interioranos do Brasil. Especificamente, objetivamos: identificar concepções e parâmetros sobre juventudes no contexto interiorano no âmbito da psicologia escolar e educacional no Brasil; analisar como as concepções e parâmetros sobre juventudes na psicologia escolar e educacional no Brasil, em contexto interiorano brasileiro, tem articulado o sexismo, a LGBTfobia, o racismo, o classismo e a xenofobia enquanto marcadores dos sistemas de opressões; sistematizar os parâmetros identificados em psicologia escolar e educacional que tratem das juventudes em contextos interioranos do Brasil, em intersecção com raça, classe, gênero, sexualidade e território e os marcadores dos sistemas de opressões atrelados a essas categorias. Para tanto, em consonância com os objetivos atualizados, continuaremos realizando a revisão de literatura integrativa em busca de estudos teóricos e práticos em psicologia escolar e educacional que tenham tratado do contextos escolares do interior brasileiro, buscando identificar de que forma as juventudes tem sido consideradas por esses constructos. O estudo também será permeado pela perspectiva da interseccionalidade (Collins; Birge, 2021), onde identificaremos materialidades que tenham em seu bojo a articulação com as categorias de raça, classe, gênero, sexualidade e território. Tais estudos também passarão a considerar a interseccionalidade como práxis social (Silva; Menezes, 2020) e não somente como categoria analítica. Essa compreensão está articulada com a necessidade de compreender a interseccionalidade também em consonância com a construção dos sistemas de opressões fundantes de eixos de subordinação (Crenshaw, 2002, apud Silva; Menezes, 2020). Nos fundamentamos a partir dos estudos decoloniais (Ballestrin, 2013; Maldonado-Torres, 2019), no sentido de considerar as especificidades que compõem a psicologia escolar e educacional no Brasil, diante da necessidade de compreendermos os meandros das questões sobre juventudes que geralmente não tem sido abordadas de forma situada (Haraway, 2009). Atuaremos também conforme os pressupostos sócio-históricos da psicologia, no sentido de abarcar modos e processos de apropriação do gênero humano (Bertoldo, 2005). Buscamos compreender juventudes e sujeitos jovens (Castro, 2019) na perspectiva da pluralidade, no sentido de contemplar sujeitos jovens e juventudes que componham o interior, em articulação com aspectos da urbanidade e da ruralidade, e que por ventura estejam presentes em constructos e perspectivas de atuação em psicologia escolar e educacional. Temos interesse em considerar os contextos escolares do interior brasileiro nos quais as juventudes pertençam. Para tanto, consideraremos a interseccionalidade como instrumento analítico e de resolução de problemas (Collins; Bilge, 2021), especificamente abarcando as intersecções das categorias raça, classe, gênero, sexualidade e território. Quanto ao marcador raça, focaremos em concepções e aspectos no âmbito da branquitude e negritude. Dos marcadores sobre gênero e sexualidade, buscaremos abarcá-los de forma situada, sobretudo diante dos processos de imposição colonial e as construções de práticas de gênero e sexualidade que subvertam normas. Tentando contemplar questões sobre a classe, buscaremos estudos que tratem da geração de renda, formação para o trabalho, moradia e outros fatores relacionados, com base na perspectiva sócio-histórica, de emancipação humana e também sob a chave de compreensão dos estudos decoloniais. Em termos de território, temos interesse em compreender a produção do conhecimento em articulação com as especificidades dos lugares e espaços por onde juventudes se fazem presentes, demarcadas e demarcando relações de poder. Como metodologia, atuaremos sob os pressupostos da pesquisa qualitativa, lançando mão da revisão de literatura integrativa e da metassíntese, buscando identificar, descrever, analisar e produzir sínteses, a partir dos constructos elaborados nos últimos 15 anos, no âmbito da psicologia escolar e educacional. O presente projeto de pesquisa se constitui a partir de atuações e estudos realizados anteriormente, tanto em contextos educacionais quanto coletivos de outra natureza (movimentos e organizações sociais), que tem alguma atuação junto a juventudes no interior alagoano, mais especificamente no semiárido. Os estudos e práticas realizados se deram no âmbito da psicologia social comunitária e, sobretudo, da psicologia escolar e educacional. Em pesquisa anterior (SANTOS, 2020), constatamos que são raros os estudos desenvolvidos em psicologia que abordam sobre as juventudes no interior brasileiro, pois a maioria aborda sobre suas vivências em grandes centros urbanos, sobretudo das capitais. Mesmo com a expansão da atuação em psicologia no interior (Leite et al., 2013), poucos estudos abordam juventudes neste contexto. Mas identificamos também que, quando há estudos, há considerações a respeito do contexto escolar. Esse projeto é uma continuidade do projeto dos ciclos anteriores, uma vez que, a partir dos estudos já realizados por esta pesquisa em torno da intersecções dos marcadores de gênero, sexualidade, raça, classe e território, identificamos a necessidade de desdobramento da revisão de literatura a respeito do classismo, racismo, xenofobia, sexismo e LGBTfobia enquanto categorias que compõem os sistemas de opressões articulados com os marcadores já estudados, também no intuito de evidenciar como a psicologia escolar compreende as resistências constituídas a partir desses marcadores sociais da diferença e presentes na dinâmica dos sistemas de opressões identificados nos estudos. Com base nos estudos do ciclo atual, manteremos a amplitude do escopo das materialidades, buscando acessar produções acadêmicas variadas.
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