Projeto de pesquisa, UFAL
Cooperação em Assentamentos Rurais da Reforma Agrária, em Alagoas.
Descrição
O presente estudo tem como objetivo analisar, sob uma perspectiva teórico-analítica e empírica, os processos de cooperação em assentamentos rurais vinculados à política de reforma agrária no estado de Alagoas, buscando compreender em que medida e sob quais condições essas práticas influenciam o desenvolvimento socioeconômico desses territórios. A pesquisa parte do reconhecimento de que a redistribuição fundiária, embora fundamental, não é suficiente para garantir a viabilidade dos assentamentos, sendo a cooperação entre agricultores familiares um elemento estratégico para a organização produtiva, a inserção em mercados e a reprodução social das famílias assentadas. Entretanto, tais processos não se configuram de forma homogênea, sendo atravessados por condicionantes históricos, institucionais, culturais e econômicos que moldam as formas de ação coletiva no meio rural. Do ponto de vista teórico, o estudo ancora-se na nova sociologia econômica, especialmente na noção de enraizamento social da ação econômica (embeddedness), na teoria da ação coletiva e nas abordagens do desenvolvimento rural, permitindo compreender a cooperação como prática social mediada por redes de relações, normas e instituições. Metodologicamente, trata-se de uma pesquisa qualitativa, de caráter exploratório-descritivo, conduzida por meio de estudo de múltiplos casos em três assentamentos localizados nas mesorregiões do Leste, Agreste e Sertão alagoano. A produção dos dados será realizada por meio da triangulação de técnicas, incluindo pesquisa documental, entrevistas semiestruturadas com assentados, técnicos e gestores, e observação participante, possibilitando a construção de uma análise aprofundada das dinâmicas sociais e produtivas. A análise dos dados será conduzida com base na técnica de análise de conteúdo, buscando identificar padrões, tipologias de cooperação e fatores condicionantes da ação coletiva, bem como seus efeitos sobre a produção, a comercialização e a renda das famílias assentadas. Espera-se que os resultados contribuam para o avanço do debate teórico sobre cooperação e desenvolvimento rural, além de fornecer subsídios para a formulação e o aprimoramento de políticas públicas voltadas à agricultura familiar e à reforma agrária, especialmente em contextos marcados por fragilidades estruturais e desigualdades territoriais.
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