Projeto de pesquisa, UFAL
Saúde mental da população atingida pelo desastre socioambiental na cidade de Maceió: análise epidemiológica, sofrimento psíquico e reconstrução de vida em contextos de deslocamento forçado
Descrição
O presente projeto constitui continuidade científica do estudo “Saúde mental da população atingida pelo desastre socioambiental na cidade de Maceió: impacto, sofrimento e mudanças na vida dos moradores (Saúde Mental, Nossa Prioridade)”, desenvolvido no ciclo PIBIC 2025–2026 e articulado ao diagnóstico ampliado financiado pelo Programa Nosso Chão, Nossa História/UNOPS. A pesquisa investiga os impactos psicossociais decorrentes do afundamento do solo causado pela exploração minerária de sal-gema em Maceió, considerado o maior desastre urbano em área minerada do Brasil. O estudo encontra-se em fase avançada de consolidação analítica, após conclusão da etapa de coleta de dados quantitativos e qualitativos. Até o presente momento, foram identificados elevados indicadores de sofrimento psíquico entre moradores atingidos direta ou indiretamente pelo desastre, especialmente em mulheres, idosos, pessoas negras, famílias deslocadas compulsoriamente e indivíduos submetidos à ruptura territorial e comunitária. Os dados preliminares apontam alta frequência de sintomas associados à ansiedade, tristeza persistente, insônia, medo contínuo, insegurança quanto ao futuro, sensação de perda identitária e sofrimento relacionado à destruição dos vínculos afetivos e territoriais. No eixo quantitativo, os resultados parciais demonstram predominância de participantes do sexo feminino, adultos e idosos, baixa renda familiar, histórico de deslocamento compulsório e significativa presença de transtornos mentais comuns rastreados pelo SRQ-20. Observou-se associação preliminar entre sofrimento psíquico e fatores como perda da moradia, desemprego, fragilidade das redes sociais, insegurança ambiental e ruptura dos modos de vida. No eixo qualitativo, as narrativas evidenciam sofrimento marcado por sentimentos de desenraizamento, luto territorial, invisibilidade social e medo contínuo. Expressões recorrentes como “perdi minha história”, “não pertenço mais a lugar nenhum”, “a terra adoeceu e nós adoecemos junto” e “tiraram nossa paz” revelam processos complexos de sofrimento coletivo e trauma social. Diante da magnitude do banco de dados construído, da complexidade metodológica da pesquisa e da relevância social, científica e ética dos resultados, torna-se imprescindível a continuidade do projeto no ciclo PIBIC 2026–2027 para aprofundamento das análises estatísticas, categorização temática, triangulação metodológica, interpretação crítica dos achados e produção de artigos científicos, relatórios técnicos e recomendações para políticas públicas de saúde mental em contextos de desastres socioambientais.
Candidatar-se
Entre na sua conta para enviar uma carta de intenção à coordenação deste projeto.