Projeto de pesquisa, UFAL
DISPOSITIVOS BIOPOLÍTICOS NA LITERATURA BRASILEIRA
Descrição
Esta pesquisa se propõe a estudar as configurações biopolíticas na literatura brasileira em romances pós-1930. Essas narrativas são pensadas em sua complexidade estético-linguística como privilegiados repositórios dos dispositivos de poder que regulam corpos, subjetividades e espaços sociais especialmente no país. O recorte da investigação concentra-se em quatro romances: Memórias do cárcere (Graciliano Ramos, 1953), A menina morta (Cornélio Penna, 1954), Crônica da casa assassinada (Lúcio Cardoso, 1959) e A maçã no escuro (Clarice Lispector, 1961). O propósito específico é mapear de que maneira a narrativa literária revela mecanismos de controle (disciplinares, autoritários, existenciais) e suas implicações na gestão da vida, por meio de conceitos demandam o estudo do pensamento de Michel Foucault, Gilles Deleuze, Giorgio Agamben, Roberto Esposito e Achille Mbembe. Entende-se por "biopolíticas" os processos pelos quais o poder incide sobre a vida biológica e social, transformando-a em objeto de administração, exclusão ou resistência. A literatura, nesse sentido, é lida como um campo privilegiado para desvendar as relações entre norma e exceção, soberania e marginalidade, instituições e subjetividades. O problema central pode ser sintetizado na seguinte questão: como a literatura brasileira representa dispositivos biopolíticos — como vigilância, estado de exceção, controle patriarcal e gestão da vida nua? De que forma essas representações dialogam com contextos históricos e teóricos? Toma-se como hipótese a ideia de que os romances analisados funcionam como “algoritmos biopolíticos”, confeccionados cada qual com suas particularidades, porém unidos em torno de histórias que discutem a instalação de formas de poder que podem ser privilegiadas chaves de leitura da vida e da literatura brasileira. Subjacente aos seguintes direcionamentos: a dominação patriarcal em espaços domésticos e nas relações de trabalho; a gestão autoritária da vida em contextos rurais e urbanos; a internalização de normas como forma de controle subjetivo; espera-se que esta pesquisa demonstre como a literatura brasileira contemporânea tensiona noções de como a vida foi e permanece capturada por dispositivos imunizam as relações no interior da comunidade.
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