Projeto de pesquisa, UFERSA
Otimização da aplicação de bioestimulante em genótipos de feijão-caupi sob déficit hídrico
Descrição
O feijão-caupi (Vigna unguiculata (L.) Walp.) é uma cultura de elevada importância socioeconômica para regiões semiáridas, especialmente no Nordeste brasileiro, Entretanto, a irregularidade das chuvas e a limitação hídrica tendem a comprometer a produtividade, pois o déficit hídrico afeta diretamente processos fisiológicos essenciais, como trocas gasosas, absorção de nutrientes e crescimento vegetal, resultando em redução do rendimento. Entretanto, seus efeitos variam entre espécies, genótipos, grau e tempo de exposição ao estresse, condições edafoclimáticas, dentre outros. Nesse contexto, estratégias que promovam maior eficiência no uso da água e estabilidade metabólica sob restrição hídrica tornam-se fundamentais na exploração de cultivos agrícolas. Entre essas estratégias, destaca-se o uso de bioestimulantes comerciais, formulados a partir de compostos capazes de modular respostas fisiológicas e nutricionais associadas à tolerância ao estresse. Desta forma, pretende-se com este estudo avaliar o crescimento, fisiologia, nutrição foliar e produção de genótipos de feijão-caupi submetidos a diferentes regimes hídricos, bem como investigar o potencial do bioestimulante comercial Bioasis Power na mitigação dos efeitos do déficit hídrico. Serão conduzidos dois experimentos em casa de vegetação da Universidade Federal Rural do Semi-Árido (UFERSA), em Mossoró-RN: o experimento I será conduzido em delineamento de blocos ao acaso, em esquema fatorial 5 × 3 × 4, cujos tratamentos serão compostos de cinco genótipos de feijão-caupi (G1 - Pingo de Ouro; G2 - Costela de Vaca; G3 - Paulistinha; G4 - Sempre Verde e G5 - Ceará), três regimes hídricos (100, 70 e 40% da capacidade de campo) e quatro concentrações do bioestimulante Bioasis Power aplicadas via foliar (0; 1,25; 2,50 e 3,75 mL L⁻¹), com quatro repetições. Essa etapa permitirá identificar genótipos com maior tolerância ao déficit hídrico e verificar a existência de interação entre material genético, regime hídrico e concentrações do produto. O Experimento II será conduzido com os dois genótipos que apresentarem melhor desempenho produtivo e/ou fisiológico no Experimento I, utilizando-se a melhor concentração do bioestimulante previamente definida. Será adotado delineamento em blocos ao acaso, em esquema fatorial 2 × 2 × 3, correspondente a dois genótipos, dois regimes hídricos (100% e 40% da capacidade de campo) e três formas de aplicação do bioestimulante (via solo, via foliar e aplicação combinada), com cinco repetições, totalizando 60 parcelas experimentais. Essa etapa terá como finalidade otimizar a estratégia de uso do bioestimulante sob condição de déficit hídrico. O manejo da irrigação será realizado com base na capacidade de campo determinada por lisimetria de drenagem, permitindo estimar o consumo hídrico médio e assegurar o controle dos regimes pré-determinados. Serão avaliadas variáveis de crescimento, trocas gasosas, índices de clorofila, nutrição foliar (K, Na, Ca e Mg) e produção de grãos. A hipótese do estudo é que o bioestimulante comercial possa favorecer a manutenção da homeostase nutricional, especialmente no equilíbrio entre K e Na, além de modular respostas fisiológicas associadas às trocas gasosas, como condutância estomática e assimilação de CO₂, promovendo maior eficiência do uso da água sob restrição hídrica e, consequentemente, melhor desempenho produtivo. Espera-se identificar respostas diferenciais entre genótipos quanto à tolerância ao déficit hídrico e avaliar a eficiência do bioestimulante como ferramenta de mitigação. O trabalho busca contribuir para o entendimento das interações entre genótipo, manejo hídrico e uso de insumos fisiologicamente ativos, fornecendo subsídios para sistemas produtivos mais resilientes no semiárido brasileiro.
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