Projeto de pesquisa, UFAL
Exercita Rim - Treinamento de Força pré sessões de diálise em pacientes do SUS com Hipertensão Arterial e Doença Renal Crônica
Descrição
A doença renal crônica (DRC) figura entre as principais causas de morbimortalidade no Brasil e no mundo, com forte associação a desfechos cardiovasculares adversos, sobretudo entre pacientes em terapia renal substitutiva. A hemodiálise (HD), modalidade dialítica predominante, é acompanhada de instabilidade hemodinâmica intradialítica, inflamação sistêmica persistente e progressão da calcificação vascular, fenômenos interconectados que comprometem a sobrevida e a percepção da qualidade de vida desses pacientes (KDIGO, 2024; Junior, 2004). Embora o exercício físico tenha sido progressivamente reconhecido como terapia adjuvante no manejo da DRC, a maior parte dos protocolos descritos é realizada de forma intradialítica e em modalidade aeróbica, sendo escassos os estudos sobre exercícios de força muscular aplicados imediatamente antes da sessão de HD, especialmente quanto às respostas agudas integradas em nível bioquímico e hemodinâmico. O presente projeto propõe um estudo quase-experimental, do tipo crossover intra-sujeito, com 25 pacientes adultos em HD trissemanal acompanhados na Unidade de Saúde Urinária do Hospital Universitário Professor Alberto Antunes (USU/HUPAA/UFAL), nos quais será aplicada uma sessão única padronizada de exercício físico de força (60–70% de 10 RM, 20–30 minutos antes da sessão de HD), comparada a uma condição controle de repouso, com período de wash-out de sete dias entre as condições e randomização da ordem por sequência gerada em software R. Em momentos sequenciais (pré-intervenção, durante a sessão, ao longo da HD e em recuperação de 24 horas), serão monitorados parâmetros hemodinâmicos intradialíticos (pressão arterial sistólica e diastólica, frequência cardíaca, oximetria de pulso, variações pressóricas intradialíticas e Δ da queda da pressão arterial), eficácia dialítica (Kt/V), perfil bioquímico sistêmico (função renal, equilíbrio hidroeletrolítico, metabolismo mineral-ósseo, lipidograma, lactato, homocisteína, proteína C reativa e interleucina-10), nível habitual de atividade física (IPAQ versão longa e acelerometria triaxial) e indicadores psicofisiológicos (Escala de Desconforto Percebido, Perfil dos Estados de Humor (POMS) e Escala de Fadiga de Piper). A integridade estrutural e o grau de calcificação da artéria carótida comum serão caracterizados por ultrassonografia em modo-B e Doppler colorido (espessura íntima-média, mapeamento de placas, diâmetro luminal e distensibilidade), permitindo estratificar os participantes segundo o comprometimento vascular prévio e testar o grau de calcificação como covariável moduladora das respostas hemodinâmicas e metabolômicas ao exercício. A análise estatística empregará modelos lineares mistos para medidas repetidas, regressão linear simples e múltipla, e análises de associação entre o perfil bioquímico-metabólico, o comportamento hemodinâmico intradialítico e os achados morfológicos vasculares, com nível de significância de α = 0,05. Espera-se avaliar se o grau de calcificação carotídea influencia a magnitude das respostas inflamatórias e hemodinâmicas; e produzir evidências que sustentem a viabilidade clínica e a segurança da intervenção como estratégia de baixo custo e alta factibilidade operacional para unidades de hemodiálise do Sistema Único de Saúde (SUS). O projeto é vinculado ao Programa de Pós-Graduação em Ciências Médicas da Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Alagoas (FAMED/UFAL) e tem como parceria o Instituto de Educação Física e Esporte (IEFE), está aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa em Seres Humanos da UFAL (Parecer Consubstanciado nº 7.724.475, CAAE 89913525.0.0000.5013).
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