Projeto de pesquisa, UFAL
AMBIENTE ALIMENTAR E SAÚDE MATERNO-INFANTIL EM FAMÍLIAS REALOCADAS: REFLEXÕES PARA A INOVAÇÃO EM SAÚDE NO SUS DE ALAGOAS
Descrição
Introdução: Nas últimas décadas, tem-se observado um aumento expressivo nas prevalências globais da tripla carga da má nutrição (TCMN), condição definida pela coexistência da subnutrição, das deficiências de micronutrientes (fome oculta) e do excesso de peso ou obesidade. Esse fenômeno é impulsionado por profundas transformações nos padrões alimentares e nos estilos de vida, decorrentes das rápidas transições econômicas, industriais e do avanço da urbanização. Tais mudanças afetam de maneira significativa o bem-estar físico e emocional de mulheres e crianças, especialmente em contextos de vulnerabilidade social. Apesar da importância do tema, ainda são escassas as investigações que exploram essa problemática em cenários de comunidades tradicionais, realocadas, em exposição contínua à pobreza, particularmente entre populações materno-infantis. Objetivo: Investigar as associações entre o ambiente alimentar, a insegurança alimentar, a coesão social e o acesso a instituições de proteção social e lazer, e seus impactos nas condições de alimentação e nos desgastes psicofisiológicos da díade mãe e filho de famílias realocadas em um conjunto habitacional, pertencentes a uma comunidade tradicional. Metodologia: Trata-se de um estudo transversal, com abordagem parcialmente ecológica. A população do estudo se caracteriza por uma comunidade tradicional, composta por marisqueiras e pescadores artesanais, que foram recentemente realocados para um conjunto habitacional localizado no município de Maceió, Alagoas. A amostra será composta por 250 residências, tendo como unidades de análise as díades mãe (18 a 44 anos de idade) e filho (2 a 9 anos de idade) residentes no local, resultando em um total de 500 participantes. A coleta de dados será realizada por meio da aplicação de questionários padronizados, contemplando informações sociodemográficas, de saúde e estilo de vida; ambiente alimentar (comunitário e domiciliar); situação de insegurança alimentar; coesão social; acesso a instituições de proteção social e lazer; consumo alimentar; e marcadores de desgaste psicofisiológico. A tabulação e a análise estatística dos dados serão conduzidas com o uso dos softwares Epi Info e Stata. As análises descritivas incluirão medidas de tendência central e dispersão (para variáveis contínuas) e frequências absolutas e relativas (para variáveis categóricas). As associações entre ambiente alimentar, insegurança alimentar, coesão social e seus impactos nas condições de alimentação e nos marcadores de desgaste psicofisiológico serão examinadas por meio de modelos de regressão logística multivariada (para desfechos binários) e regressão linear ou generalizada (para desfechos contínuos). Quando necessário, serão aplicados modelos multiníveis. O nível de significância adotado será de 5%.
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