Projeto de pesquisa, UFAL
O fetiche do capital financeiro e o fetiche das commodities: uma análise ontocrítica das mistificações do agronegócio no Brasil
Descrição
O presente projeto tem como ponto de inflexão a apropriação das categorias marxianas do fetiche [Fetisch], da “mistificação” [Mystification] e da inversão (Umkehrung) como chaves heurísticas fundamentais para a elucidação da peculiaridade do processo de fetichização que perpassa a produção de commodities no cenário mais recente do desenvolvimento econômico brasileiro. A apreensão das metamorfoses que constituem o capital tem na forma abstrata da mercadoria sua mediação essencial para a elucidação da concretude do sistema tal como aparece na superfície da sociedade capitalista. A análise ontológica das vicissitudes da mercadoria, do dinheiro e do capital industrial encontra seu coroamento no capital portador de juros, como forma mais elevada de manifestação do capital fetiche. A elucidação da natureza fetichista do capital produtor de mais-valor serve como ponto de inflexão, primeiro, para demonstrar a subordinação do processo de financeirização aos capitais portadores de juros e fictícios. Segundo, observar-se-á como essa forma de capital ganhou notabilidade na contemporaneidade devido à impossibilidade de o mais-valor emanado da produção ser capitalizado no processo de rotação original, o que impõe seu deslocamento para o universo especulativo objetivado no mercado de futuros, no mercado bursátil, nos títulos da dívida pública, nos títulos de propriedade etc. Terceiro, buscar-se-á esclarecer como os capitais ociosos do mercado internacional conseguiram se reciclar na esfera da produção de commodities e oferecer uma nova roupagem ideológica ao latifúndio através do conceito de agronegócio. Quarto, como o processo de fetichismo das commodities e do agronegócio ofusca sua relação orgânica com a intensificação da exploração da força de trabalho e o processo de espoliação de terras mediante os mecanismos coercitivos. A apropriação ontocrítica dos fundamentos do processo de fetichização que perpassa o capital se sucederá pela recorrência à leitura imanente de O capital, bem como pelos empréstimos valiosos de pensadores marxistas como G. Lukács (2012), Jorge Grespan (2012; 1999; 2019), Enrique Dussel (2012), Marxhausen (1988), Jadir Antunes (2018; 2006), Hector Benoit (2008), M. Sabatini (2023), Boccega (2007; 2020), Reinaldo Carcanholo (2003; 2013), Freire (2021), Monfardini (2011) etc. Para escrutinar o processo de mistificação da hipertrofia das finanças e sua inserção na produção de commodities no Brasil, recorrer-se-á tanto ao método de análise marxiano quanto às elaborações teóricas de autores como François Chesnais (1996, 2000, 20005, 2008, 2013, 2016) e Cedric Durand (2018), Rudolf Hilferding (1985) e Vladimir Lenin (2011), Guilherme Delgado (1985 e 2012), Leda Paulani (2017), Ariovaldo Umbelino de Oliveira (2012), Medeiros (2024), Sampaio Jr. (2017), Fontes (2010) etc. Por fim, para elucidar a capilaridade da ascendência do agronegócio e da produção de commodities como intensificação das contradições sociais no campo, aprofundando os processos de acumulação por exploração e espoliações, recorrer-se-á às contribuições de autores como Harvey (2004), Barros (2018), Bezerra (2014), Iamamoto (2015), Kamila (2015), Krein (2018; 2021), Machado (2020, 2021), Fontes (2010), Santos (2012) etc.
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