Projeto de pesquisa, UFAL
A constelação discursiva da sustentabilidade: um estudo dos casos dos Parques Eólicos e Solares no Nordeste
Descrição
A sustentabilidade, longe de constituir um consenso normativo, configura-se como um campo de disputas simbólicas no qual diferentes racionalidades — econômica, ambiental e sociocultural — buscam hegemonia na definição de seus sentidos. No contexto da transição energética no Nordeste brasileiro, tais disputas tornam-se particularmente visíveis: de um lado, a produção discursiva organizacional mobiliza estratégias de legitimação que associam energias renováveis a progresso, inovação e responsabilidade ambiental; de outro, emergem contradiscursos de comunidades afetadas que tensionam essa narrativa ao explicitar os custos sociais, territoriais e ecológicos desses empreendimentos. Assim, mais do que um processo técnico de descarbonização, a transição energética revela-se como arena político-discursiva na qual se confrontam projetos distintos de desenvolvimento, colocando em questão não apenas os modos de produzir energia, mas os próprios fundamentos do que se entende por sustentabilidade. Considerando esse complexo cenário, a presente proposta de pesquisa pretende analisar as disputas de sentido sobre sustentabilidade entre a produção discursiva das organizações do setor de energias renováveis (Parques Eólicos e Solares) no Nordeste brasileiro e os contradiscursos da sociedade civil nesse contexto. Para tanto, perseguirá os seguintes objetivos específicos: a) compreender a expansão das energias renováveis no Nordeste brasileiro, com foco nos parques eólicos e solares; b) mapear o perfil das organizações do setor de energia (empresas e associações) e das instâncias de sociedade civil (movimentos sociais e comunidades), identificando seus propósitos, estratégias e o campo interacional no qual se relacionam; c) desvelar como esses atores (organizações e sociedade civil) constroem e disputam o sentido de "sustentabilidade"; d) investigar os meios, canais e veículos por onde circulam a produção discursiva das empresas e os contradiscursos da sociedade civil, avaliando a frequência e as circunstâncias em que essas pautas ganham visibilidade na esfera pública.
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