Projeto de pesquisa, UFAL
A moral e a relação entre alma e corpo no racionalismo seiscentista
Descrição
A resposta ao problema da união da alma e do corpo constitui uma das principais questões colocadas aos filósofos do que Merleau-Ponty chama de "grande racionalismo". Formulado em sua forma mais acabada por Descartes, esse problema encontra diferentes e por vezes contrastantes soluções nos filósofos seiscentistas, como Espinosa, Malebranche e Leibniz, dentre outros. Colocado por Descartes em termos metafísicos, como a questão de saber como duas substâncias de naturezas distintas, o pensamento e a extensão, podem estar unidas no homem, o problema da união acaba por se colocar também em termos morais e éticos. É da união substancial que, por exemplo, Descartes parte para discutir os aspectos morais das paixões n'As paixões da alma e na correspondência com Elisabeth; que Espinosa desenvolve sua ontologia dos afetos na Ética; ou que Malebranche desenvolve suas mais diversas reflexões sobre moral. Na presente pesquisa, buscaremos analisar as consequências éticas e morais das diferentes respostas da filosofia seiscentista ao problema da união da alma e do corpo. O projeto visa estabelecer um diálogo entre alunos interessados em diferentes autores do período, voltado para as consequências éticas de um problema metafísico. A pesquisa se insere no interior do projeto A recepção da ética estoica no renascimento e na modernidade, financiado pelo CNPq (processo nº 420776/2023-0) e promovido pelo Grupo de Estudos em Ética e Filosofia Política da UFAL (GEFP-UFAL). No interior desse projeto, os bolsistas e voluntários serão incentivados a buscar o enraizamento dos debates éticos seiscentistas na tradição do pensamento ético e político que remonta à antiguidade.
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