Projeto de pesquisa, UFAL
Ética e natureza no racionalismo seiscentista
Descrição
A modernidade filosófica do século XVII promoveu uma profunda ruptura com a concepção aristotélico-escolástica de natureza. Com Galileu, Bacon e Descartes, a natureza material passou a ser compreendida como um todo extenso, explicável pelo movimento e pela figura de suas partes, prescindindo de qualquer forma ou princípio imaterial. No caso de Descartes, a distinção real entre substância extensa e substância pensante confere ao mundo físico uma autonomia plena, tornando possível explicar inclusive o corpo humano a partir de mecanismos puramente materiais. Essa transformação ontológica não se restringe ao domínio da física ou da medicina: ela impõe também novos fundamentos para a ética e a moral, uma vez que a agência humana e a busca pela virtude precisam ser repensadas no interior de uma natureza regida pela causalidade mecânica. O presente projeto de pesquisa propõe examinar, a partir de autores seiscentistas — notadamente Descartes, Espinosa e Hobbes —, as diferentes maneiras pelas quais as concepções de natureza do período condicionaram distintas teorias das paixões e da vontade, e como essas teorias fundamentam, por sua vez, concepções diversas de ética e moral. O fio condutor da pesquisa é a noção de paixão e sua relação com a vontade: em oposição à tradição anterior, que compreendia as paixões como perturbação da natureza ou efeito do pecado, os filósofos do século XVII passaram a considerá-las como parte inextrincável da natureza humana, o que recoloca, em novos termos, a questão do papel da vontade no ordenamento da vida moral.
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