Projeto de pesquisa, UFAL
DESASTRES HIDROMETEOROLÓGICOS NA REGIÃO METROPOLITANA DE MACEIÓ E OS IMPACTOS SOCIOECONÔMICOS E AMBIENTAIS NA SOCIEDADE
Descrição
Os desastres naturais têm aumentado sua frequência e intensidade em escala global. Os desastres hidrológicos (enchentes e inundações) que atingem a Região Metropolitana de Maceió (RMM), Alagoas – Leste do Nordeste do Brasil (ENEB) causam impactos na população e na infraestrutura. Os extremos de chuva na RMM, são influenciados por vários fatores: i) topografia, ii) modos de variabilidade climática, iii) sistemas sinóticos, de mesoescala e local e iv) características fisiográficas, que juntos, contribuem para variabilidade espaço-temporal da chuva. Com as mudanças climáticas em curso, tais eventos extremos tendem a se tornar cada vez mais frequentes e intensos. A RMM tem carência de estudos sobre chuvas extremas e os impactos via desastres hidrometeorológicos, visto que é uma região que possui áreas de risco climático e alta vulnerabilidade social, seguido de uma população de cerca de 1,39 milhão de habitantes, com destaque para o município de Maceió com cerca de 960 mil. Vale ressaltar que atual rede de monitoramento de chuva não contempla todos os munícipios e, portanto, o uso de produtos de precipitação pode suprir essa carência espaço-temporal. É fundamental caracterizar os sistemas meteorológicos, identificar horários preferencias e mapear as chuvas extremas na RMM versus os dados de Desastres Naturais hidrometeorológicos. Assim, o objetivo deste estudo é avaliar as chuvas extremas e os impactos na vulnerabilidade socioambiental e econômica a partir dos desastres hidrometeorológicos na RMM. Os dados pluviométricos são baseados nas seguintes bases de dados: i) CEMADEM (Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais) – (http://www2.cemaden.gov.br/categoria/redededados/) no período de 2014 a 2025, do INMET (Instituto Nacional de Meteorologia) – (https://portal.inmet.gov.br/dadoshistoricos) no período de 2003 a 2025 e SEMARH (Secretaria do Estado do Meio Ambiente e Recursos Hídricos de Alagoas) – (https://dados.al.gov.br/catalogo/fa_IR/dataset/dados-de-precipitacao-mensal) no período de 2000 a 2025 (observado) e ii) dados do produto de precipitação CHIRPSv2 (Climate Hazards Group InfraRed Precipitation with Station) versão 2 e TERRACLIMATE no período 2000 a 2025. No estudo também serão usados os seguintes banco de dados: iii) Desastres Naturais do Sistema Integrado Sobre Desastres (S2ID) – (https://s2id.mi.gov.br/paginas/series/) no período de 2003 a 2025; iv) Alguns indicadores sociodemográficos (densidade demográfica, Histórico de Desastres Hidrometeorológicos, risco climático, arborização urbana, Taxa de Analfabetismo, Índice de Gini, percentual da População com Renda per capita, Índice de IDH e Taxa de Leitos Hospitalares oriundos do censo de 2022 para representar as dimensões da vulnerabilidade adotadas pelo IPCC; v) dados de Uso e ocupação do solo oriundos do satélite LANDSAT; e vi) Análise Sinótica (dados do ERA5 e Imagens de Satélites GOES) de alguns estudos de casos. A análise e controle de qualidade serão aplicados aos dados observados, em função das lacunas e falhas nas séries temporais. A série temporal preenchida será submetida às estatísticas descritiva, exploratória (boxplot) e multivariada (análises de agrupamento - AA e de componentes principais – ACP). Para validação dos produtos de precipitação serão aplicados: Erro Padrão de Estimativa (EPE, mm), MAE (Mean Absolute Error, mm), Root Mean Squared Error (RMSE, mm), índice de Willmott (d), coeficientes de Pearson (r) e de determinação (R2), sendo incluídos no diagrama de espalhamento 1:1. Todas as análises serão feitas no software ambiente R e Phyton. Métodos de interpolação espacial (IDW, Spline, Krigagem e Co-Krigagem) serão testados na RMM via software Quantum GIS. Mapas dos horários preferencias e dos locais de ocorrências de chuvas extremas serão confeccionados. Os Eventos de Precipitação Extrema (EPE) são definidos como acumulados totais de chuva que são iguais ou acima do percentil 95 (P95), sendo adotados na pesquisa. Os EPE quando ocorrem em um ambiente urbano podem ocasionar inundações repentinas, alagamentos e deslizamentos, principalmente em regiões de encostas, comum em Maceió e na RMM. O modelo DrinC será calculado o Standardised Precipitation Index (SPI) para cada município da RMM. O SPI será avaliado os eventos úmidos na série temporal observada e do produto de precipitação. Os resultados esperados serão a identificação dos principais sistemas meteorológicos que contribuem para geração e intensificação das chuvas extremas, seguido dos horários preferencias e com indicações dos locais de ocorrências e, por fim se tais locais identificados neste estudo estão em áreas de risco e de vulnerabilidade social via dados socioeconômicos e demográficos. Outros achados obtidos na pesquisa serão o quanto as chuvas intensas, enxurradas e inundação correspondem aos desastres registrados na RMM. O estudo irá oferecer subsídios valiosos para o planejamento e a implementação de políticas públicas e ações socioambientais a ocorrência dos desastres naturais na RMM.
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