Projeto de pesquisa, UFAL
Desenvolvimento Biotecnológico de Antígenos para o Imunodiagnóstico do Vírus Oropouche
Descrição
O vírus Oropouche (OROV) é um arbovírus emergente pertencente ao gênero Orthobunyavirus, reconhecido como o agente etiológico da febre Oropouche, uma arbovirose de crescente relevância para a saúde pública brasileira. No Brasil, o OROV foi inicialmente identificado em 1960 em uma amostra proveniente de bicho-preguiça, enquanto o primeiro caso humano associado à infecção viral foi descrito no estado do Pará em 1961. Nas últimas décadas, especialmente nos anos recentes, observa-se uma importante expansão geográfica do vírus, incluindo sua introdução em estados anteriormente considerados indenes para circulação viral. Somente em 2024, mais de 6.200 casos da doença foram registrados no país, evidenciando o potencial epidêmico e emergente dessa arbovirose. Os surtos recentes têm sido associados à emergência de novas variantes virais decorrentes de eventos de modificações genéticas, reforçando a necessidade de fortalecimento das estratégias de vigilância molecular e desenvolvimento de ferramentas diagnósticas mais sensíveis e acessíveis. Além disso, estudos recentes identificaram anticorpos e RNA viral em fetos com malformações congênitas e em casos de abortamento, levantando preocupações sobre uma possível associação entre a infecção pelo OROV e uma síndrome congênita viral. Esses achados ampliam significativamente a relevância clínica e epidemiológica do vírus, ressaltando a urgência no desenvolvimento de métodos diagnósticos mais eficientes. Atualmente, o diagnóstico da infecção aguda pelo OROV é realizado principalmente por técnicas moleculares, especialmente RT-qPCR, utilizando amostras de sangue ou soro coletadas durante o período de viremia. Entretanto, a fase virêmica da infecção é curta e transitória, o que limita a capacidade diagnóstica baseada exclusivamente na detecção de RNA viral. Consequentemente, uma parcela significativa dos indivíduos infectados apresenta resultados moleculares negativos em função do momento da coleta clínica. Embora alguns laboratórios especializados disponham de ensaios sorológicos do tipo MAC-ELISA produzidos com antígenos virais derivados de cultura celular, ainda não existem kits comerciais amplamente padronizados para o diagnóstico sorológico da infecção pelo OROV, especialmente voltados à detecção de anticorpos IgM. Nesse contexto, o desenvolvimento de ferramentas sorológicas baseadas em peptídeos imunogênicos sintéticos representa uma estratégia promissora para ampliar a capacidade diagnóstica da febre Oropouche. Nosso grupo de pesquisa realizou recentemente o sequenciamento completo do genoma de amostras de OROV circulantes no estado de Alagoas utilizando tecnologia de sequenciamento de nova geração (NGS). Esses dados genômicos serão fundamentais para a identificação e seleção racional de epítopos imunogênicos, considerando que as cepas atualmente associadas aos surtos recentes apresentam características genéticas distintas decorrentes de eventos evolutivos recentes. Dessa forma, o presente projeto tem como objetivo desenvolver peptídeos imunogênicos aplicados ao diagnóstico sorológico da infecção pelo vírus Oropouche. Regiões antigênicas de proteínas estruturais virais serão identificadas por abordagens de bioinformática e imunoinformática para posterior síntese química dos peptídeos candidatos. Após a obtenção dos peptídeos sintéticos, serão conduzidos ensaios in vitro para avaliação do potencial antigênico frente a anticorpos padrão anti-OROV. Serão empregados testes imunológicos como ELISA, immunoblot e ensaios de vírus-neutralização para validação preliminar dos antígenos desenvolvidos. Ao final de 12 meses, espera-se obter peptídeos imunogênicos com potencial aplicação em plataformas sorológicas voltadas ao diagnóstico da febre Oropouche. A proposta busca contribuir para o desenvolvimento de novas ferramentas biotecnológicas aplicadas à vigilância epidemiológica, permitindo ampliar a capacidade diagnóstica do Sistema Único de Saúde (SUS) e fortalecer estratégias de monitoramento e controle da dispersão do OROV no Brasil.
Candidatar-se
Entre na sua conta para enviar uma carta de intenção à coordenação deste projeto.