Projeto de pesquisa, UFAL
Potencial para bioinovação de leveduras não convencionais oriundas de ecossistemas alagoano
Descrição
A poluição orgânica e a poluição por xenobióticos (p.ex., plásticos e hidrocarbonetos) atualmente são consideradas ameaças emergentes à biota. Os ecossistemas naturais vêm sendo ameaçados globalmente e são sensíveis às perturbações humanas. As mudanças climáticas também vêm contribuindo para a perda da biodiversidade. Nesse sentido, é urgente a adoção de práticas sustentáveis que preservem o meio ambiente. Em 2023, foi lançado, como parte do Plano de Aceleração do Crescimento (PAC), o Plano de Transição Ecológica do Governo Federal, cujo principal objetivo é impulsionar o desenvolvimento econômico de forma sustentável, preservando o meio ambiente e mitigando as mudanças climáticas. Estudos focados no uso sustentável da biodiversidade, incluindo microrganismos, vêm de encontro não só ao Plano referido acima, mas também às políticas nacionais do meio ambiente, sobre mudança do clima e da biodiversidade. Os impactos causados pela atividade humana têm provocado uma perda muito grande de espécies, conhecidas e desconhecidas pela ciência, em todos os biomas. Em relação à biodiversidade microbiana, ainda se sabe muito pouco sobre a riqueza de espécies e sobre sua contribuição para o funcionamento dos ecossistemas, além de ser fonte de bioinovação para diferentes áreas. Microrganismos obtidos a partir de ambientes naturais podem ser armazenados ex situ em coleções de cultura, as quais podem ser utilizadas em estudos taxonômicos, ecológicos e biotecnológicos. Dentre estes, as leveduras são as mais exploradas pelo homem, gerando receitas de trilhões de dólares, devido à capacidade de fermentar açúcares em etanol e outros produtos do metabolismo. A biodiversidade de leveduras constitui uma fonte riquíssima de potenciais inovações biotecnológicas. Assim, conhecer essa biodiversidade torna-se estratégico para o desenvolvimento sustentável e para a bioeconomia. Atualmente, são conhecidas cerca de 2.500 espécies de leveduras e, destas, a proponente participou da descrição de várias, originárias de diferentes biomas brasileiros. A estimativa é de que, mundialmente, menos de 10% das espécies de leveduras tenham sido encontradas, descritas e comercializadas até o momento. Nos trabalhos sobre biodiversidade de leveduras isoladas de biomas brasileiros, temos encontrado uma frequência de cerca de 30% de espécies novas, e a maioria ainda não teve a descrição formal publicada. Além disso, apresentam grande potencial e diversidade de aplicações biotecnológicas. O presente projeto objetiva avaliar o potencial de bioinovação de leveduras não convencionais isoladas de manguezais e da Caatinga no estado de Alagoas, por meio da produção de enzimas. Estes biomas apresentam características totalmente diferentes, o que favorece o isolamento de novas leveduras capazes de produzir produtos biotecnológicos com características bem distintas. Parte do presente projeto é uma continuação do projeto anterior, uma vez que foi obtido um grande número de dados e de espécies novas, o que não pode ser realizado em um período de 12 meses. Estas espécies estão em processo de descrição, o que demanda algum tempo. Entretanto, alguns artigos estão em fase de preparação ou de submissão. Na presente proposta, incluímos a busca por outras enzimas, bem como a atuação na divulgação científica. As pesquisas do presente projeto integram o Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia – INCT Leveduras – Biodiversidade, preservação e inovações biotecnológicas, implementado em dezembro de 2022 (chamada nº 58/2022 do CNPq), no qual a proponente é coordenadora do Núcleo de Estudos de Biodiversidade de Leveduras e do projeto “Taxonomia polifásica e potencial para bioinovação de leveduras de manguezais e da Caatinga no estado de Alagoas” (Chamada CNPq/CONFAP-FAPs nº 24/2024 – PROTAX).
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