Projeto de pesquisa, UFAL
Inovação e acessibilidade na exposição zoológica itinerante: democratizando o acesso a ciência
Descrição
O Brasil abriga cerca de 18,6 milhões de pessoas com deficiência, representando 8,9% da população com dois anos ou mais. No Nordeste, esse número chega a 10,3%, equivalente a 5,8 milhões de indivíduos e Alagoas apresenta 10,4% de pessoas com deficiência, média acima do nível nacional e da região Nordeste. No entanto, dados de educação e trabalho revelam que essa parcela da população enfrenta maiores desafios de inserção. A Lei Brasileira de Inclusão, conhecida como Lei de Acessibilidade, assegura o direito à autonomia e participação na sociedade, destacando a importância das Tecnologias Assistivas (TA) para promover funcionalidade e inclusão. Essas tecnologias são essenciais para superar barreiras, incluindo as comunicacionais, garantindo acesso à informação para todos. Em ambientes culturais como museus, a acessibilidade é crucial para garantir o acesso de todos, conforme preconizado pelo Estatuto de Museus, que destaca a universalidade do acesso e a valorização da diversidade cultural. Cabe ressaltar que a democratização do acesso ao conhecimento científico não deve se restringir ao espaço físico dos museus. Levar a ciência até os públicos que não têm fácil acesso a esses espaços institucionais é uma ação de responsabilidade social e educativa. Exposições itinerantes são caracterizadas como atividades extramuros por acontecer em espaços externos ao museu. Dessa forma, a itinerância de exposições acessíveis representa uma estratégia inovadora e inclusiva para ampliação do alcance das ações museológicas. A realização dessas atividades permite atingir novos públicos e promover diferentes formas de interação com a comunidade, garantindo a expansão do acesso à cultura e ao conhecimento. Os estudantes da educação básica e superior representam o principal grupo beneficiado pelas ações educativas promovidas pelos museus no Brasil. O Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (IDEB) de Alagoas aponta para a necessidade urgente de fortalecer ações educativas que complementam o ensino formal, sobretudo em contextos de vulnerabilidade social e educacional. Esses indicadores educacionais se conectam diretamente com os níveis de desenvolvimento humano no estado, refletindo um cenário de desigualdade e carência de políticas públicas que promovam direitos sociais, como o acesso à cultura, à ciência e ao conhecimento. Nesse sentido, as exposições itinerantes cumprem um papel fundamental ao contribuir para a redução das desigualdades de acesso ao conhecimento científico e cultural. A proposta é inovar através da itinerância de uma exposição zoológica acessível com recursos sensoriais, audiodescrição, recursos táteis e elementos multissensoriais. Por meio da itinerância acessível e inovadora, o papel social dos museus universitários como agentes de transformação será fortalecido. No ciclo anterior de PIBIT, iniciamos a organização desta exposição zoológica itinerante acessível, parte 1 Anfíbios e expomos este material primeiramente no Centro Educacional Cyro Accioly (uma instituição pública dedicada a promover uma educação inclusiva para alunos com deficiência visual). Posteriormente apresentamos a exposição no Hall da Biblioteca Central da UFAL (para todos, pessoas com ou sem deficiência). Fizemos auto-avaliações, recebemos vários feedbacks e percebemos a necessidade de realizarmos alguns ajustes (na audiodescrição, no braille e na inclusão da linguagem de sinais) para alcançarmos nosso objetivo de garantir a inclusão. Para as pessoas com deficiência visual seguiremos com as audiodescrições e braille e mais atenção será dada para atender as particularidades das pessoas daltônicas. Consultores cegos foram essenciais para apontar estes ajustes. Para as pessoas com deficiência auditiva percebemos que o material PETG foi o que teve um melhor desempenho em garantir a conversão som-vibração e continuaremos a utilizar este material para garantir a vibração com acurácia das vocalizações de cada espécie de anfíbio. Ademais a incorporação do QR Code com um intérprete de libras será acrescentada em todos os banners. Para este ciclo a proposta é incorporar estes ajustes na exposição itinerante. Continuaremos apresentando os anfíbios que representa o grupo de vertebrados mais ameaçado de extinção e muitas informações equivocadas sobre eles levam a população matá-los sem o conhecimento sobre sua importância para a humanidade e ecossistema. A inovação reside na produção desta coleção itinerante sobre os anfíbios e a inovação tecnológica reside em ora criar modelos de anfíbios que vibram no ritmo de sua vocalização devido a inserção da tecnologia Arduino ora por criar placas de PVC com sonogramas em braille e outros suportes acessíveis. Democratizar o conhecimento científico promovendo a inclusão de todos é garantir o desenvolvimento da consciência de conservação da natureza e desmistificar percepções errôneas acerca das espécies!
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