Projeto de pesquisa, UFAL
Veneno Digital: Consumo de Informação Política em Plataformas Digitais e Erosão da Confiança Institucional no Brasil (2018–2022)
Descrição
Qual o efeito da exposição à desinformação eleitoral sobre os níveis de confiança institucional entre eleitores brasileiros? Nosso objetivo geral é estimar o efeito de do consumo de informação política por meio de redes sociais e aplicativos de mensagens eleitoral (proxy de exposição à desinformação) sobre confiança institucional entre eleitores brasileiros. Usaremos dados do Estudo Eleitoral Brasileiro (ESEB) e do Barômetro das Américas (LAPOP), referentes aos ciclos eleitorais de 2018 e 2022, o que justifica o estudo, uma vez que o Brasil viveu entre 2018 e 2022 um dos períodos de maior intensidade de desinformação política de sua história democrática. As eleições presidenciais de 2018 marcaram a consolidação do WhatsApp como principal canal de circulação de notícias falsas, com campanhas coordenadas de disparo em massa de conteúdo enganoso sobre candidatos, instituições e o próprio sistema eleitoral. Em 2022, o fenômeno se aprofundou: narrativas sobre suposta fraude nas urnas eletrônicas, disseminadas sistematicamente por atores políticos de alta visibilidade, atingiram parcelas expressivas do eleitorado e culminaram nos ataques às sedes dos três poderes em janeiro de 2023. Nesse contexto, a relação entre exposição à desinformação e desconfiança nas instituições democráticas tornou-se uma das questões mais urgentes para a Ciência Política brasileira. Compreender se e como o consumo de conteúdo falso afeta a confiança no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), nos partidos políticos e no Congresso Nacional é fundamental tanto para o diagnóstico do estado da democracia brasileira quanto para o desenho de políticas públicas de combate à desinformação. Tecnicamente apostamos na hipótese de que eleitores com maior exposição a conteúdo político por meio de plataformas de baixa moderação como WhatsApp e redes sociais abertas apresentam menores níveis de confiança em instituições como o TSE, o Congresso Nacional e os partidos políticos, mesmo após controlar por variáveis sociodemográficas e partidárias. Adicionalmente, espera-se que esse efeito seja moderado pela identidade partidária: eleitores com forte identificação com partidos que disseminaram narrativas desinformativas tendem a apresentar desconfiança institucional mais acentuada. A pesquisa adota abordagem quantitativa observacional, com análise de dados secundários provenientes de surveys representativos de âmbito nacional. Serão estimados modelos de regressão linear múltipla (OLS) tendo como variável dependente índices de confiança institucional e como variável independente principal indicadores de consumo de informação política via redes sociais e WhatsApp, utilizados como proxy de exposição à desinformação. As variáveis de controle incluirão escolaridade, renda, religião, identificação partidária, interesse em política, além da avaliação retrospectiva do governo e da economia. Os dados serão extraídos de duas fontes públicas e de acesso livre. O ESEB (Estudo Eleitoral Brasileiro), conduzido pelo CESOP/Unicamp, oferece microdados pós-eleitorais com perguntas sobre confiança institucional, consumo de mídia e avaliação do sistema eleitoral para 2018 e 2022. O LAPOP Brasil (Barômetro das Américas), coordenado pela Vanderbilt University, complementa com perguntas sobre confiança interpessoal e institucional, uso de redes sociais e exposição autopercebida a notícias falsas, com ondas em 2019 e 2021 que permitem análise longitudinal parcial.
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