Projeto de pesquisa, UFAL
Fuzzy C-Means baseado em Linear Discriminant Analysis para Agrupamento de Dados com Variáveis Correlacionadas
Descrição
A Aprendizagem de Máquina reúne métodos computacionais capazes de identificar padrões em dados e apoiar processos de análise, previsão e tomada de decisão. Entre suas principais abordagens está a aprendizagem não supervisionada, utilizada quando não há rótulos previamente definidos para orientar o treinamento dos modelos. Nesse contexto, a análise de agrupamento ocupa papel central, pois permite organizar objetos semelhantes em grupos, revelar estruturas latentes e apoiar a interpretação de conjuntos de dados complexos em áreas como saúde, indústria, educação, economia, biologia e ciências sociais. Entre os métodos de agrupamento, os algoritmos fuzzy se destacam por permitirem que um mesmo objeto pertença simultaneamente a mais de um grupo, com diferentes graus de pertinência. Essa característica é importante em problemas reais, nos quais as fronteiras entre grupos raramente são rígidas. Perfis clínicos, dados físico-químicos, dados espectrais, medidas morfométricas e indicadores socioeconômicos frequentemente apresentam transições graduais entre classes ou perfis. O Fuzzy C-Means (FCM) é um dos métodos mais utilizados nesse contexto, pois representa cada objeto por graus de pertinência em relação aos grupos estimados. A utilidade dessa representação, entretanto, depende diretamente da forma como o algoritmo mede a distância entre objetos e protótipos. A distância usada pelo FCM clássico é normalmente euclidiana, o que faz com que o algoritmo opere como se as variáveis fossem representadas por eixos independentes e comparáveis. Em dados reais, essa condição é incomum: variáveis coletadas em um mesmo domínio tendem a compartilhar mecanismos de geração, instrumentos de medida, escalas físicas, relações biológicas ou processos sociais, produzindo correlação e redundância. Quando essas relações são ignoradas, a geometria percebida pelo algoritmo pode diferir da estrutura presente nos dados, e essa diferença afeta diretamente a partição fuzzy obtida. O efeito da correlação aparece de forma mais clara em problemas nos quais os grupos possuem formato alongado, orientação oblíqua ou separação definida por combinações lineares de variáveis. Nesses casos, o FCM pode atribuir pertinências inadequadas porque procura grupos aproximadamente esféricos no espaço original. Extensões como Gustafson-Kessel e Gath-Geva incorporam matrizes de covariância para lidar com grupos elipsoidais, mas dependem da estimação e da inversão de matrizes por grupo, operação que pode ser instável em bases com multicolinearidade, poucos objetos por grupo ou alta razão entre número de variáveis e número de observações. Essa limitação abre espaço para uma estratégia que trate a correlação sem depender apenas de covariâncias locais. A Linear Discriminant Analysis (LDA) oferece uma alternativa para esse problema porque identifica projeções lineares que aumentam a separação entre grupos e reduzem a dispersão interna. Em sua forma clássica, a LDA exige rótulos de classe; no agrupamento, esses rótulos não existem. O FCM, porém, produz pertinências fuzzy que podem funcionar como informação suave de grupo, permitindo estimar uma estrutura discriminante sem recorrer a rótulos externos durante o treinamento. Essa possibilidade conecta a modelagem fuzzy à aprendizagem de subespaço discriminante. Este projeto propõe um único método, denominado LDA-FCM, no qual as pertinências fuzzy são usadas para estimar uma projeção discriminante e o agrupamento é realizado no subespaço resultante. A proposta não é aplicar LDA como etapa isolada de pré-processamento, mas formular um algoritmo de agrupamento fuzzy em que a correção da correlação entre variáveis faça parte da própria modelagem. Essa formulação será avaliada em cenários controlados e em bases reais nas quais a dependência entre variáveis tenha interpretação no domínio de aplicação. A avaliação considerará dados sintéticos com estruturas de covariância conhecidas e dados reais de análise clínica, qualidade de alimentos, espectroscopia, morfometria e dados socioeconômicos. O desempenho será comparado com FCM, FCM após PCA, Gustafson-Kessel, Gath-Geva e MFCM, utilizando métricas externas, métricas internas, estabilidade entre inicializações, custo computacional e testes estatísticos. Com isso, espera-se identificar em quais condições a incorporação da LDA ao FCM melhora a qualidade da partição, em quais cenários o ganho é limitado e quais propriedades dos dados favorecem o uso do método proposto. Do ponto de vista aplicado, o projeto busca contribuir para problemas nos quais a correlação entre variáveis não é ruído, mas parte da estrutura do fenômeno analisado. Em bases clínicas, o método pode auxiliar na identificação de perfis de pacientes com características compartilhadas; em dados físico-químicos e espectrais, pode apoiar o controle de qualidade e a caracterização de materiais; em dados morfométricos, pode contribuir para a diferenciação de padrões biológicos; e em dados socioeconômicos, pode ajudar a identificar grupos de municípios, regiões ou populações com perfis semelhantes. Como resultado esperado, o LDA-FCM deverá produzir agrupamentos mais coerentes em dados correlacionados, maior estabilidade em relação ao FCM clássico e uma alternativa metodológica para aplicações reais em que a estrutura de dependência entre variáveis precisa ser considerada no processo de agrupamento.
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