Projeto de pesquisa, UFAL
Feminino, Cultura e Política: A Resistência das Mulheres nos Territórios Urbanos
Descrição
Trata-se de um projeto de pesquisa que partiu do interesse, inciativa e elaboração autônoma dos e das estudantes que participaram no ciclo PIBIC 2025-2026, " A segregação da loucura pelos muros do manicômio e pelos discursos: Pensamento e obra de Nise da Silveira retomados pela psicanálise lacaniana'. O atual projeto é um dos desdobramentos daquela pesquisa. Este projeto foi pensado e elaborado por este coletivo de discentes, que contou meramente com a ajuda do atual coordenador deste projeto. Algumas questões relacionadas à segregação e desigualdade sociais trabalhadas na pesquisa anterior provocaram novas reflexões. As características atribuídas às mulheres foram historicamente distorcidas por discursos que as associaram a uma sexualidade excessiva e a uma condição biologicamente patológica, integrando seus corpos ao controle médico, familiar e social, especialmente por meio da função materna e da responsabilização moral sobre a família e os filhos (Foucault, 1988). Na atualidade, esse cenário ainda se faz presente, mesmo diante dos avanços conquistados pelas mulheres. As desigualdades de gênero continuam atravessando diferentes espaços sociais, especialmente para aquelas que pertencem a grupos socialmente marginalizados, como mulheres negras, periféricas e LGBTQIA+, enfrentam formas ainda mais intensas de exclusão e vulnerabilidade. A persistência dessas desigualdades é reforçada pela violência simbólica que naturaliza a submissão feminina, conforme abordado por Bourdieu, P. (2002). Assim, a inserção feminina nos movimentos culturais urbanos ultrapassa o campo da produção artística, configurando-se como prática política e coletiva de enfrentamento às desigualdades de gênero . Para além disso, compreende-se, em psicanálise, que a posição feminina, ao contrário do lado masculino, no que remete ao registro fálico, não está totalmente submetido a ela, portanto, é apenas parcialmente coberta pelo simbólico, tendo um gozo portanto, ilimitado, complementar (Lacan, 1972-1973/1985). Desse modo, a presente pesquisa propõe, no contexto maceioense, buscar compreender quais são os grupos femininos culturais existentes e como eles se consolidaram, a fim de construir um espaço de escuta e produção de conhecimento junto a mulheres inseridas em movimentos culturais urbanos, reconhecendo suas vivências como centrais na compreensão das práticas de resistência e enfrentamento às desigualdades de gênero.
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