Projeto de pesquisa, UFAL
Codex da Evidência: validação em campo de uma plataforma digital tradutora de evidência educacional internacional para apoio à decisão de gestores escolares brasileiros
Descrição
O Codex da Evidência é uma aplicação web que traduz evidência científica internacional sobre intervenções educacionais em planos operacionais executáveis por coordenadores pedagógicos, orientadores educacionais, diretores escolares, docentes e técnicos de Secretarias Municipais e Estaduais de Educação no Brasil. A plataforma consolida 93 intervenções extraídas das três principais fontes de síntese de evidência da área — Education Endowment Foundation Toolkit (35 intervenções, Reino Unido), What Works Clearinghouse Practice Guides (43, Estados Unidos) e Campbell Collaboration (15) —, derivadas da síntese de aproximadamente 3.000 estudos primários. Cada intervenção é apresentada com indicadores de impacto (meses de progresso adicional), força de evidência, custo estimado em reais por aluno por ano e tempo de implementação, acrescida de uma camada operacional original com quatro passos executáveis, responsáveis principais e de apoio, indicador de monitoramento e frequência sugerida — camada que não existe nas fontes originais e constitui a contribuição tecnológica distintiva da ferramenta. O protótipo já alcançou Maturidade Tecnológica 3 (validação de protótipo integrado). Funciona ponta a ponta em ambiente controlado, com wizard de entrada por problema, filtros multidimensionais por categoria, fonte, responsável e busca textual, comparação lado a lado de até quatro intervenções, calculadora de custo total e geração do plano operacional. A presente proposta consiste em promover o salto de MT 3 para MT 4 (teste em campo), por meio de piloto controlado com gestores escolares de redes parceiras do Observatório de Equidade Educacional do NEES/UFAL, acompanhado das evoluções técnicas estritamente necessárias para sustentar uso real: persistência de sessão, exportação em PDF dos planos operacionais e das tabelas comparativas, hospedagem estática com domínio próprio, auditoria de acessibilidade WCAG 2.1 nível AA e instrumentação de telemetria anonimizada em conformidade com a LGPD. O projeto endereça uma lacuna concreta. A evidência educacional internacional sobre o que funciona em educação básica é vasta, mas chega ao gestor brasileiro em PDFs estáticos, em inglês, sem tradução para o contexto de papéis institucionais, custos em reais, programas brasileiros similares já existentes (PNAIC, Mais Alfabetização, Tempo de Aprender, programas estaduais) e nem operacionalização em passos executáveis. O resultado é que decisões sobre quais programas adotar continuam sendo tomadas com base em modismos, oferta de fornecedores de programas educacionais ou intuição. O Codex resolve essa lacuna não apenas pela tradução, mas pela operacionalização explícita por passos e papéis e pela transparência epistêmica — inferências metodológicas do autor são marcadas com tags INFERIDO e PARCIAL no produto, evitando simulacro de rigor onde rigor primário não existe. A metodologia adota desenho de pesquisa de desenvolvimento tecnológico aplicado do tipo design-based research, articulando ciclos sucessivos de implementação técnica, teste em campo e refinamento — coerente com a exigência editalícia de metodologia caracterizada como desenvolvimento tecnológico e inovação. O piloto envolverá ao menos 24 participantes distribuídos em quatro estratos distintos da cadeia de decisão pedagógica baseada em evidência: docentes da educação básica que executam as intervenções na ponta; equipes pedagógicas e direção escolar que decidem qual intervenção adotar; técnicos de Secretarias Municipais de Educação que decidem programas no nível da rede municipal; e técnicos de Secretarias Estaduais de Educação que articulam programas em escala estadual e em regimes de colaboração com municípios. Esse desenho multi-stakeholder permite triangulação interna por dupla de estudantes (executor versus decisor no nível escola; municipal versus estadual no nível sistema) e triangulação externa entre os dois níveis (escola versus sistema), produzindo evidência empírica diversificada sobre a utilidade da ferramenta em diferentes posições da cadeia decisória. A equipe é composta pelo orientador (Prof. Dr. Gabriel Fortes, Instituto de Psicologia da UFAL, pesquisador do NEES e líder da linha de Pesquisa e Inovação no Observatório de Equidade Educacional), por colaborador externo de Ciência da Computação do IFPE-Garanhuns responsável pelo desenvolvimento técnico, e por quatro estudantes de graduação em Psicologia da UFAL — dois bolsistas de Iniciação Tecnológica e dois voluntários — organizados em duas duplas com recortes empíricos próprios. Cada estudante conduz sessões individuais de uso assistido com think-aloud protocol, supervisiona período de uso autônomo da ferramenta por quatro a seis semanas com telemetria anonimizada, aplica questionário pós-uso (System Usability Scale adaptado mais escala Likert de utilidade percebida e intenção de uso continuado) e conduz entrevista semiestruturada de retroalimentação. Cada estudante produz, a partir dos seus achados, um conjunto priorizado de melhorias para o produto, encaminhado à equipe técnica para incorporação à versão v4 pós-piloto — assegurando que cada plano de trabalho contribua diretamente ao desenvolvimento tecnológico da ferramenta. A inserção institucional no NEES/UFAL e no Observatório de Equidade Educacional é elemento estratégico do projeto. Oferece acesso qualificado à população-alvo (gestores escolares e técnicos de secretaria via rede de formação já consolidada do Observatório), alinhamento programático (a missão do Observatório de produzir, mobilizar e traduzir evidência sobre equidade educacional para a tomada de decisão das redes públicas é exatamente o problema que o Codex endereça em sua interface tecnológica) e plataforma de continuidade institucional para além da vigência do PIBITI — seja como recurso institucional do Observatório para a formação continuada de gestores, seja como tecnologia social a ser oferecida a Secretarias e fundações educacionais parceiras (Lemann, Itaú Educação Brasil, Maria Cecilia Souto Vidigal), seja como base para candidaturas subsequentes a editais de teste em escala (CNPq, MEC, fundações educacionais). Os entregáveis tecnológicos previstos ao final da vigência são cinco. Primeiro, versão v4 do Codex da Evidência consolidada com as melhorias derivadas do piloto e implementadas pela equipe técnica, com os quatro estudantes como coautores da release. Segundo, registro de software no INPI, formalizando a propriedade intelectual da plataforma. Terceiro, protocolo replicável de validação MT 3 para MT 4 para ferramentas digitais de apoio à decisão pedagógica baseada em evidência, sistematizado como contribuição metodológica do projeto. Quarto, artigo técnico-metodológico submetido a periódico Qualis B1 ou superior em educação, políticas educacionais ou tecnologia aplicada à educação, com autoria conjunta de orientador, colaborador externo e os quatro estudantes. Quinto, resumos expandidos individuais submetidos ao 16º Congresso Acadêmico de Iniciação Tecnológica da UFAL, com a perspectiva analítica do recorte de cada estudante. O modelo de sustentabilidade é institucional e não-lucrativo — coerente com a missão do NEES/UFAL e com a natureza do problema (apoio à decisão de gestores da rede pública de educação básica).
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