Projeto de pesquisa, UFAL
O papel do ciberfeminismo no combate à violência contra a mulher: implicações, efetividade e abrangência
Descrição
O ativismo no âmbito do ciberespaço vem se constituindo como uma forma eficiente de manifestação dos movimentos sociais. Tal é seu impacto informativo e empoderador que o fortalecimento de ações nesses espaços tem ampliado o debate sobre as pautas de diversas minorias. Considerando a velocidade com que os conteúdos são propagados nas redes sociais online, as estratégias comunicacionais e o engajamento ativista nesses ambientes têm se colocado como instrumentos crescentes de resistência e luta. Desta forma, tomou-se como objetivo geral desta investigação analisar o papel do ciberfeminismo no combate à violência contra a mulher em contextos socioculturais diversos. Para tanto, foram levantadas quatro questões: (1) de que forma o ciberfeminismo opera nas redes sociais online?; (2) qual o seu papel nas crenças sobre a violência contra a mulher?; (3) qual o impacto do ciberfeminismo no combate à violência contra a mulher?; (4) Qual o papel da cultura nas pautas feministas? Para responder às questões, planeja-se realizar três estudos: o Estudo 1 consistirá em um mapeamento acerca dos discursos feministas empregados por ativistas no Instagram, através da análise de postagens em perfis militantes de livre acesso. Os resultados permitirão descrever de que forma essas crenças se expressam nos sítios investigados, possibilitando o reconhecimento das principais narrativas utilizadas. No Estudo 2, serão coletadas informações junto a usuárias dos perfis ativistas, considerando quatro aspectos: (1) o papel da militância feminista virtual nas crenças e conhecimentos sobre violência contra a mulher; (2) o conhecimento que possuem acerca dos direitos femininos; (3) o acesso aos dispositivos de acolhimento de dúvidas e de combate à violência contra a mulher e (4) como percebem a efetividade dos serviços ofertados e sua abrangência. O Estudo 3, buscará articular as informações coletadas no Estudo 2 à construção de estratégias coletivas de disseminação eficiente de informações. Neste sentido, por meio da técnica de grupo focal, pretende-se aprofundar os achados e conhecer as barreiras que dificultam o acesso à informação e aos dispositivos de amparo às mulheres, para que seja possível aprimorar a relação entre as pautas feministas e os serviços direcionados à garantia dos direitos das mulheres e da equidade de gênero. Planeja-se utilizar o conjunto dos achados para idealização e elaboração de uma tecnologia de software capaz de minimizar as barreiras indicadas. Esta investigação será realizada em cinco contextos: Brasil, Moçambique, Inglaterra, Espanha e Chile. Será realizado um comparativo intercultural sobre os aspectos subjacentes ao combate à violação dos direitos das mulheres mediados pelo papel da militância feminista virtual. A Teoria da Ação Planejada e a Teoria do Enfrentamento (TE) serão utilizadas para fundamentar a investigação, uma vez que propõem modelos explicativos que permite identificar o conjunto de crenças e intenções que precedem os repertórios comportamentais de interesse do projeto. Estima-se, portanto, a obtenção de evidências consistentes sobre o papel do controle social informal que opera no contexto virtual no reconhecimento de estratégias de resposta à proteção dos direitos femininos e no combate à violência contra a mulher. Além disso, espera-se que os resultados dessa investigação impulsionem o desenvolvimento de estudos no âmbito do ciberespaço com vias à ampliação do conhecimento acerca do papel crescente que as novas tecnologias apresentam na disseminação de informações e na modulação de crenças e comportamentos. Esta proposta está alinhada a pelo menos três Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da Agenda 2030 da ONU, quais sejam, objetivo 5, sobre a promoção da igualdade de gênero e o empoderamento de meninas e mulheres; o objetivo 10, que tem como meta a redução das desigualdades no interior dos países e entre os países e o objetivo 16, que busca promover sociedades pacíficas e inclusivas, além de porcionar o acesso à justiça para todos e construir instituições eficazes. Trata-se, portanto, de um estudo bastante amplo, de cunho intercultural, multicêntrico e transdisciplinar que pretende colaborar para o avanço do conhecimento dessa demanda urgente e atual.
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