Projeto de pesquisa, UFAL
TENDENCIAS PARA O ENSINO DE QUÍMICA: O CASO DA AVALIAÇÃO NOS PROJETOS PEDAGÓGICOS DAS LICENCIATURAS EM QUÍMICA EM ALAGOAS
Descrição
O Projeto Pedagógico de Curso (PPC) pode ser compreendido como uma construção resultante da atuação de múltiplas vozes e perspectivas sobre uma estrutura previamente definida, que orienta as práticas educativas no âmbito da formação superior (Mesquita e Soares, 2012). Embora orientadas pelas mesmas diretrizes curriculares, as instituições elaboram projetos distintos, constituídos a partir da atuação de sujeitos históricos cujos discursos, permeados por interpretações e experiências socialmente construídas, produzem diferentes sentidos para a formação. Entre esses discursos, destacam-se aqueles relacionados à avaliação da aprendizagem, compreendida não apenas como um instrumento de verificação do desempenho discente, mas como um eixo estruturante das práticas pedagógicas docentes, capaz de orientar concepções de ensino, processos formativos e modos de organização curricular. Barros Filho (2002) afirma que ensinar e avaliar constituem práticas interdependentes, integrantes de uma mesma dinâmica pedagógica, sendo imprescindível considerar os contextos sociais, políticos e históricos nos quais esses processos estão imersos. Historicamente, a avaliação da aprendizagem tem sido concebida sob uma perspectiva predominantemente classificatória e seletiva, frequentemente operacionalizada por meio da atribuição de notas obtidas em provas e testes. Tal lógica tende a conduzir os estudantes à memorização acrítica de conteúdos, motivada sobretudo pela necessidade de alcançar a média exigida para aprovação. Desse modo, a avaliação passa a orientar as práticas escolares e a formação acadêmico-profissional de professores a partir de um viés classificatório, em detrimento da construção de conhecimentos social e formativamente relevantes (Sales, 2022; Lisboa e Moreira, 2023). No contexto do ensino de Química, esse cenário torna-se ainda mais evidente, tendo em vista a presença de conceitos, fórmulas e equações frequentemente caracterizados como abstratos, o que historicamente contribui para práticas avaliativas centradas na reprodução de conteúdos. Assim, investigar as concepções de avaliação presentes nos PPCs dos cursos de Licenciatura em Química constitui um campo fecundo de debates acerca da formação de professores. As discussões desta pesquisa serão fundamentadas, entre outros referenciais, nas gerações da avaliação propostas por Guba e Lincoln (1989;2011). Segundo os autores, a avaliação educacional passou historicamente por quatro gerações: avaliação como medida, avaliação como descrição, avaliação como formulação de juízos de valor e avaliação como negociação e construção de sentidos. As três primeiras gerações aproximam-se de modelos mais técnicos, classificatórios e centrados na mensuração dos resultados. Já a quarta geração rompe com essa lógica ao compreender a avaliação como um processo dialógico, formativo e de construção coletiva de sentidos. Para Pereira e Graebin (2010), os documentos não existem de forma neutra, ao contrário, são construções históricas que refletem relações sociais, culturais, políticas e econômicas. Nesse sentido, compreender as orientações sobre avaliação presentes nos PPCs torna-se necessário para refletir sobre a coerência entre o discurso institucional e as práticas pedagógicas esperadas na Educação Básica. A presente pesquisa justifica-se pela necessidade de compreender as concepções e práticas de avaliação da aprendizagem veiculadas nesses documentos institucionais, com o objetivo de identificar possíveis lacunas, tensões e potencialidades que possam impactar a formação de professores de Química. Trata-se de uma investigação de natureza documental, que não envolve diretamente sujeitos humanos, mas possibilita uma análise crítica das diretrizes institucionais que norteiam os cursos de Licenciatura em Química no Estado de Alagoas. O objetivo geral consiste em analisar como se dá a inclusão das questões da avaliação da aprendizagem nos textos dos PPCs dos cursos de Licenciatura em Química do Estado de Alagoas, identificando as concepções presentes nos documentos e os caminhos apresentados para que a avaliação seja implementada como aspecto formativo ao longo dos cursos. Especificamente, pretende-se: identificar as concepções de avaliação da aprendizagem presentes nos PPCs; categorizar essas concepções à luz dos referenciais teóricos adotados; e apontar possíveis implicações dessas perspectivas para a formação acadêmico-profissional de professores de Química. A pesquisa adotará uma abordagem qualitativa (Severino, 2016), por buscar compreender concepções, discursos e significados produzidos nos documentos analisados. Quanto aos procedimentos metodológicos, caracteriza-se como pesquisa documental, tomando como corpus os Projetos Pedagógicos dos Cursos de Licenciatura em Química da Universidade Federal de Alagoas (campi Arapiraca, Maceió e Sertão), Universidade Estadual de Alagoas (campi Arapiraca e Palmeira dos Índios) e Instituto Federal de Alagoas (campus Maceió). Como ferramenta analítica será utilizada a Análise Textual Discursiva (ATD), conforme proposta por Moraes e Galiazzi (2007), fundamentada nos movimentos de desmontagem dos textos, categorização e produção de metatextos analíticos. Espera-se que a pesquisa contribua para ampliar as discussões sobre avaliação da aprendizagem no contexto da formação inicial de professores de Química, possibilitando reflexões acerca das concepções pedagógicas institucionalizadas nos cursos investigados.
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