Projeto de pesquisa, UFAL
FORMULAÇÃO E CARACTERIZAÇÃO DO COMPLEXO CURCUMINA–CICLODEXTRINA EM MODELOS DE MEMBRANA ELETROFIADAS
Descrição
As feridas crônicas representam um importante desafio para os sistemas de saúde devido à cicatrização prolongada associada ao elevado estresse oxidativo e à inflamação persistente do tecido lesionado. Nesse contexto, diferentes curativos avançados têm sido desenvolvidos para promover um microambiente favorável à regeneração tecidual. Entre eles, as membranas nanofibrosas obtidas por eletrofiação destacam-se por apresentarem elevada área superficial, alta porosidade, capacidade de absorção de exsudato e potencial para incorporação e liberação controlada de compostos bioativos. Essas estruturas podem atuar como matrizes carreadores de substâncias com propriedades antioxidantes e anti-inflamatórias, como a curcumina. A curcumina, principal curcuminoide extraído de Curcuma longa L., apresenta reconhecidas atividades antioxidante, anti-inflamatória e cicatrizante, tornando-se uma candidata promissora para aplicações no tratamento de feridas. Entretanto, sua baixa solubilidade em água e elevada instabilidade frente à luz, oxigênio e temperatura limitam sua biodisponibilidade e eficácia terapêutica. Como estratégia para superar essas limitações, a complexação com β-ciclodextrina surge como uma alternativa capaz de aumentar a solubilidade, estabilidade e eficiência de liberação da curcumina por meio da formação de complexos de inclusão. Diante disso, o presente estudo objetiva desenvolver e caracterizar membranas eletrofiadas contendo complexos curcumina–β-ciclodextrina, visando obter sistemas nanoestruturados com potencial aplicação na regeneração tecidual e na liberação controlada de compostos bioativos. Trata-se de um estudo experimental no qual os complexos de inclusão serão preparados por método de coprecipitação e posteriormente incorporados a matrizes poliméricas biocompatíveis submetidas ao processo de eletrofiação. Os complexos obtidos serão caracterizados quanto à eficiência de encapsulação, teor de curcumina, tamanho de partícula, índice de polidispersão, potencial zeta, cristalinidade, propriedades térmicas, interações intermoleculares e morfologia, empregando técnicas como cromatografia líquida de alta eficiência (HPLC), espalhamento dinâmico de luz (DLS), difração de raios X (DRX), calorimetria diferencial de varredura (DSC), espectroscopia no infravermelho com transformada de Fourier (FTIR) e microscopia eletrônica de varredura (MEV). As membranas eletrofiadas serão avaliadas quanto à morfologia das fibras, propriedades estruturais, térmicas e fluorescentes, estabilidade da incorporação da curcumina, perfil de liberação in vitro e atividade antioxidante. Os resultados serão expressos como média ± desvio padrão e submetidos à análise estatística por ANOVA de uma ou duas vias, conforme o delineamento experimental, seguida de testes pós-hoc apropriados, considerando-se significância estatística quando p < 0,05. Espera-se que a associação entre complexação por ciclodextrinas e tecnologia de eletrofiação resulte em biomateriais inovadores capazes de aumentar a estabilidade da curcumina, promover sua liberação sustentada e potencializar suas propriedades bioativas, contribuindo para o desenvolvimento de novas estratégias terapêuticas para o tratamento de feridas crônicas.
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