Projeto de pesquisa, UFAL
Desenvolvimento de bioadsorventes lignocelulósicos obtidos de resíduos agroindustriais de Alagoas para captura de compostos voláteis de interesse em ecologia química
Descrição
Compostos Orgânicos Voláteis (COVs) são produzidos e liberados por organismos vivos e desempenham diferentes funções biológicas. Quando atuam como transmissores de informação entre indivíduos, são denominados semioquímicos, podendo ser classificados em aleloquímicos (interespecíficos) e feromônios (intraespecíficos). O estudo dos semioquímicos permite compreender e modificar interações entre organismos. Os feromônios, por exemplo, têm sido utilizados como ferramentas no controle de insetos-praga. Para que os COVs possam ser empregados no controle de insetos que representam riscos à saúde pública ou causam prejuízos econômicos, é necessário que sejam coletados, identificados e quantificados. Entretanto, esses compostos são liberados em quantidades diminutas (µg a ng) e geralmente compõem misturas químicas complexas, tornando necessária a busca por materiais capazes de coletá-los de forma eficiente. A presente proposta visa desenvolver e caracterizar adsorventes obtidos a partir de fontes naturais, como fibra de coco e bagaço de cana-de-açúcar, para a coleta de COVs, visando, entre outras aplicações, o controle de insetos nocivos. As biomassas serão inicialmente utilizadas in natura e submetidas à maceração com auxílio de N₂ líquido. Posteriormente, também serão empregadas como precursores para a síntese de adsorventes carbonáceos. Os testes de adsorção serão realizados comparando-se as capacidades adsortivas e a seletividade dos materiais obtidos a partir da casca de coco e do bagaço de cana-de-açúcar com adsorventes comerciais. Os adsorventes naturais e sintetizados serão caracterizados morfológica e quimicamente. Os compostos voláteis serão analisados por cromatografia gasosa com detector por ionização em chama (GC-FID), cromatografia gasosa acoplada à espectrometria de massas (GC-MS) e ressonância magnética nuclear (RMN). Os estudos de adsorção serão divididos em duas metodologias: adsorção térmica e coleta por headspace dinâmico. Nos experimentos envolvendo aquecimento brando (40–60 ºC), os COVs serão depositados em um balão acoplado a um tubo de vidro contendo os adsorventes. Serão avaliadas as massas volatilizadas e adsorvidas ao longo de 48 h, visando determinar a capacidade adsortiva dos materiais. Na coleta por headspace dinâmico, os COVs serão submetidos, em uma câmara contendo entrada e saída de ar acoplada ao adsorvente, a um fluxo de ar previamente filtrado. Os mesmos parâmetros descritos anteriormente serão avaliados. Os compostos coletados serão posteriormente analisados por GC-MS. Inicialmente, os estudos de adsorção serão realizados utilizando compostos padrões isolados. Posteriormente, os mesmos testes serão realizados utilizando misturas contendo compostos orgânicos com diferentes propriedades físico-químicas, visando avaliar a seletividade dos materiais. Esses experimentos serão conduzidos utilizando misturas com concentrações relativas conhecidas, permitindo determinar se os perfis de adsorção refletem adequadamente a composição dos compostos volatilizados. Ao final de cada experimento, os adsorventes serão lavados com solvente orgânico, reativados por aquecimento durante 4 h e submetidos a novos ciclos de adsorção, com o objetivo de determinar sua vida útil e o número de ciclos de reutilização possíveis para cada material, seja in natura ou sintetizado. A mesma metodologia será aplicada utilizando adsorventes comerciais, com o objetivo de determinar o potencial de geração de produtos com valor agregado, bem como avaliar a competitividade econômica dos adsorventes desenvolvidos neste estudo em comparação aos materiais atualmente disponíveis no mercado.
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