Projeto de extensão, IFRS
A sucessão na propriedade rural
Descrição
A sucessão nas propriedades rurais é um dos grandes desafios para a continuidade da agricultura familiar. Muitas famílias têm dificuldade em planejar a passagem das atividades de uma geração para outra, especialmente pela pouca participação de mulheres e jovens e pela falta de diálogo entre os membros da família. Palestras tradicionais, geralmente voltadas aos homens e focadas apenas no patrimônio, não têm gerado grandes resultados, pois deixam de lado questões importantes como a gestão familiar e o envolvimento de todos os integrantes. Este projeto propõe uma abordagem diferente, baseada nos princípios do educador Paulo Freire. Em vez de impor conhecimentos prontos, a extensão rural deve promover o diálogo, a escuta ativa e a valorização dos saberes de cada participante. O extensionista atua como facilitador, criando espaços para que agricultores, especialmente mulheres e jovens, possam compartilhar experiências, refletir sobre seus desafios e construir soluções em conjunto. As oficinas participativas são o principal método do projeto. Elas começam com uma problematização sobre os pontos positivos e negativos da sucessão, especialmente do papel dos jovens e das mulheres. Os participantes escrevem suas experiências e percepções em cartões, que são recolhidos de forma anônima para garantir um ambiente seguro e respeitoso. Depois, essas experiências são discutidas em grupo, promovendo a troca de ideias entre diferentes gerações e gêneros. O objetivo é estimular o protagonismo feminino e jovem, fortalecer o diálogo intergeracional e incentivar o planejamento da sucessão de forma participativa. O público-alvo do projeto são agricultoras familiares (mães), jovens rurais e estudantes de cursos ligados ao campo, como Agronomia e Técnico em Agropecuária. As oficinas são realizadas em escolas e grupos de mulheres, com duração de 2 a 3 horas e grupos de até 30 pessoas. Estima-se a realização de mais de 15 oficinas ao longo do projeto, incluindo a capacitação de técnicos. O planejamento da sucessão é tratado como um processo coletivo, que deve envolver todos os membros da família. É importante definir, juntos, quem vai assumir as atividades, quando e como será feita a transição, e garantir que os escolhidos tenham tempo para se preparar profissionalmente. Assim, a sucessão deixa de ser um tabu e passa a ser um tema discutido abertamente, com respeito às experiências e expectativas de cada um. A avaliação do impacto das oficinas é feita de forma digital, pelo menos 30 dias após cada encontro. O objetivo não é apenas verificar se houve aprendizado, mas principalmente se as ações provocaram mudanças reais nas famílias e no processo de sucessão. O sentido da extensão rural, segundo o projeto, é justamente promover transformações positivas e duradouras na vida das famílias do campo. O projeto aposta na abordagem dialógica de Paulo Freire para transformar a extensão rural em um espaço de construção coletiva, onde todos têm voz e vez. Ao valorizar o conhecimento local, estimular o protagonismo de mulheres e jovens e promover o diálogo entre gerações, o projeto contribui para uma sucessão mais justa, planejada e sustentável nas propriedades rurais familiares.
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