Projeto de pesquisa, UFJ
Disbiose intestinal e reprogramação imunometabólica do tecido adiposo perivascular na pré-eclâmpsia: potencial terapêutico de Akkermansia muciniphila e do propionato
Descrição
A pré-eclâmpsia (PE) é uma síndrome hipertensiva gestacional associada a elevada morbimortalidade materna e perinatal, além de aumentar o risco de doenças cardiovasculares a longo prazo. Embora a disfunção endotelial seja um elemento central na fisiopatologia da doença, a regulação do tônus vascular depende de interações complexas entre diferentes compartimentos da parede vascular, incluindo o tecido adiposo perivascular (PVAT), cuja contribuição na PE permanece pouco explorada. Evidências recentes indicam que a microbiota intestinal desempenha papel relevante na homeostase cardiovascular, e que a disbiose, caracterizada pela redução de bactérias produtoras de ácidos graxos de cadeia curta (SCFAs), como Akkermansia muciniphila, está associada à inflamação sistêmica, endotoxemia metabólica e disfunção vascular. Este projeto tem como objetivo investigar se a disbiose intestinal associada à PE promove reprogramação imunometabólica do PVAT, comprometendo sua função anticontrátil, e avaliar se a modulação com Akkermansia muciniphila ou com seu metabólito propionato é capaz de restaurar a função do PVAT e melhorar a homeostase vascular materna. A hipótese central é que a disbiose intestinal induz inflamação e estresse oxidativo no PVAT, levando à perda de sua função anticontrátil, e que essa condição pode ser revertida por intervenções direcionadas à microbiota. Serão utilizadas ratas prenhes Wistar, nas quais a PE será induzida por L-NAME a partir do 14º dia de gestação. Os animais serão distribuídos em grupos controle, PE, PE tratada com Akkermansia muciniphila e PE tratada com propionato. Serão avaliadas a pressão arterial, a reatividade vascular em anéis de aorta com e sem PVAT, a produção de óxido nítrico, espécies reativas de oxigênio e citocinas inflamatórias. Adicionalmente, serão realizadas análises da microbiota intestinal por sequenciamento do gene 16S rRNA, quantificação de SCFAs e avaliação de endotoxemia metabólica.
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