Projeto de pesquisa, UFPE
DISPONIBILIDADE E IMPACTO DA POLUIÇÃO POR MICROPLÁSTICOS NA COMUNIDADE ICTIOPLANCTÔNICA DO NORDESTE DO BRASIL: DA COSTA AO MAR ABERTO
Descrição
Os plásticos entraram na vida cotidiana humana quando começaram a ser produzidos em escala comercial nas décadas de 1930 e 1940. Desde então, seu uso diversificou-se grandemente, tornando-se um problema ambiental complexo, persistente e de ampla distribuição. No Brasil, a persistente inadequada gestão de resíduos sólidos favorece a entrada de plásticos e microplásticos nos ambientes aquáticos continentais e marinhos, particularmente em regiões costeiras, onde se concentram intensas atividades humanas, grande aporte continental de resíduos e elevada biodiversidade. Apesar do aumento recente do número de estudos, a poluição por microplásticos ainda é parcamente investigada no Atlântico Sul ocidental, sobretudo quando se considera, de forma integrada, a disponibilidade dessas partículas para o plâncton, sua distribuição em gradientes latitudinais e costa-oceano, sua variação temporal e seus potenciais impactos sobre fases iniciais de vida dos peixes. Os organismos zooplanctônicos compreendem grande parte da biomassa dos ambientes marinhos e estuarinos e desempenham papel central na transferência de energia ao longo da teia alimentar. Dentro desse contexto, ovos e larvas de peixes constituem componentes biológicos particularmente suscetíveis à ingestão incidental ou ativa de microplásticos, uma vez que, durante a vida planctônica, são mais vulneráveis à poluição, ao estresse ambiental e à predação. Como a sustentabilidade a longo prazo das populações de peixes depende fortemente do sucesso da fase planctônica, torna-se essencial investigar a disponibilidade e o impacto dos microplásticos sobre a comunidade ictioplanctônica. A presente proposta toma o PROJ-BIC-1173-22 como projeto estruturante e incorpora a frente PlasticMar, ampliando seu escopo analítico e espacial para a investigação de microplásticos na comunidade ictioplanctônica do Nordeste do Brasil, da costa ao mar aberto, sem perder o enfoque em gradientes latitudinais, costa-oceano e temporais. A proposta integra dados e amostras oriundos de diferentes projetos e campanhas já realizados, cuja metodologia de amostragem foi essencialmente convergente, permitindo comparações entre áreas e períodos distintos. O escopo abrange regiões costeiras, plataforma continental, quebra de plataforma, talude e mar aberto, e poderá incorporar, quando houver material compatível, ambientes insulares como o Arquipélago de São Pedro e São Paulo. As análises contemplarão a composição, abundância e distribuição de microplásticos, bem como a composição, abundância e estrutura da comunidade zooplanctônica, com ênfase no ictioplâncton. Partículas suspeitas serão caracterizadas visualmente e confirmadas por espectroscopia vibracional, enquanto ovos e larvas de peixes serão identificados ao menor nível taxonômico possível. Com isso, a proposta buscará ampliar o conhecimento sobre a biodiversidade de peixes em suas fases iniciais de vida, a disponibilidade de microplásticos em águas brasileiras e os efeitos potenciais dessa poluição sobre a comunidade ictioplanctônica. Além de sua relevância científica, a proposta poderá fornecer referências importantes para o dimensionamento da poluição por microplásticos em águas brasileiras, subsidiando ações futuras de monitoramento, formação de recursos humanos, produção científica e divulgação do conhecimento junto à sociedade.
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