Projeto de pesquisa, UFPE
Candida auris no Brasil: Uma revisão de escopo e análise epidemiológica para protocolos de preparação e de resposta a surtos potencializados pelas mudanças climáticas.
Descrição
Candida auris é uma levedura que foi descrita pela primeira vez em 2009, no Japão, e desde então se consolidou como um fungo emergente de grande impacto sanitário, espalhando-se para todos os continentes do mundo, com 6 clados distintos identificados, havendo mais de 7 mil casos registrados no mundo com mortalidade de 30%-60%. Nesse sentido, a OMS definiu o C. auris como fungo patógeno de prioridade crítica, sendo, de acordo com a organização, o segundo mais perigoso da atualidade, devido à multirresistência a antifúngicos, à dificuldade de identificação, à alta mortalidade relacionada à infecção, ao tempo indeterminado de colonização assintomática, à termorresistência (diferente dos demais fungos), à facilidade de disseminação e à capacidade de permanecer no ambiente por longos períodos (especialmente em ambientes hospitalares). No contexto brasileiro, já ocorreram 24 surtos (13 somente no Pernambuco), com 146 casos registrados, havendo possível subnotificação, dos quais 56 pacientes foram a óbito (36%), sendo que 82% dos que tiveram Candidemia morreram. Por fim, o risco da emergência de surtos futuros se deve, entre outros fatores, às mudanças climáticas, ao uso indevido de antibióticos, à prevalência de doenças crônicas e de pessoas imunocomprometidas no Brasil. O presente estudo visa realizar uma revisão da literatura científica, dos relatos de caso e dos documentos técnico-normativos sobre Candida auris, com ênfase na situação brasileira, para caracterizar seus principais aspectos biológicos, clínicos e epidemiológicos, com ênfase no potencial de disseminação devido às mudanças climáticas. Em específico, objetiva-se revisar a literatura sobre os surtos e os casos descritos desde 2009, identificando padrões recorrentes de transmissão, perfis de pacientes, contextos assistenciais, métodos diagnósticos, esquemas terapêuticos e desfechos clínicos; objetiva-se, também, analisar a evolução epidemiológica da C. auris, associando, principalmente, às mudanças climáticas, ao uso indevido de antibióticos, à prevalência de doenças crônicas e de pessoas imunocomprometidas. O método empregado será uma Revisão de escopo da literatura, buscando mapear evidências, conceitos, lacunas e relatos de casos, usando o PRISMA-ScR. Por fim, espera-se conseguir produzir uma revisão sistemática da literatura existente, mapear a evolução epidemiológica e um protocolo, recomendado, de profilaxia para o caso específico do Brasil.
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