Projeto de pesquisa, UFPE
Deficiência de imunoglobulina E:avaliação de dados clínicos e laboratoriais
Descrição
O sistema imunológico tem como funções primordiais atuar na defesa contra infecções, na defesa contra tumores e respondendo a transplantes de tecidos e proteínas. A imunoglobulina G (IgG), a imunoglobulina A (IgA), a imunoglobulina M (IgM), a imunoglobulina D (IgD) e a imunoglobulina E (IgE) são elementos fundamentais nesse processo (Chaplin, 2010). Quando há falhas no funcionamento do sistema imunológico, surgem os Erros Inatos da Imunidade (EII), grupo de doenças de origem genética que podem levar a infecções recorrentes, graves e/ou atípicas, autoimunidade, malignidade, entre outras manifestações (Poli et al., 2025). Analisando mais especificamente a IgE, sabe-se que ela exerce papel nas doenças alérgicas e na resposta imune contra parasitas (Pate et al., 2010; Rahman; Wesemann, 2024). Mas, enquanto valores altos são considerados marcadores de atopia e relacionados a infestações parasitárias, as consequências de baixos valores não são bem exploradas (Ferastraoaru et al., 2020). É interessante mencionar que existem inúmeros trabalhos mostrando os efeitos das deficiências de outras imunoglobulinas, contrastando com os poucos sobre as consequências da deficiência de IgE (Picado et al., 2021). Nos últimos anos, alguns deles trazem uma possível associação entre baixos níveis de IgE e autoimunidade e malignidade (Al et al., 2021; Ferastraoaru et al., 2020; Picado et al., 2021; Smith et al., 1997). As causas para o fenômeno ainda são desconhecidas, mas é questionado se valores reduzidos de IgE poderiam alterar o equilíbrio entre as respostas imunes T helper tipo 1(Th1) e T helper tipo 2 (Th2), além de favorecer uma maior penetração de antígenos nas mucosas (Pate et al., 2010). A relevância da IgE reduzida para o diagnóstico de EII também tem sido fonte de debate. Muitas vezes preterida em relação às outras imunoglobulinas, tem se mostrado um possível aliado na investigação desse grupo de doenças (Al et al., 2021; Lawrence et al., 2018; Nemet et al., 2025; Unsworth; Virgo; Lock, 2011). Estudos recentes sugerem que níveis baixos de IgE podem indicar a necessidade de uma investigação mais apropriada (Unsworth; Virgo; Lock, 2011).
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