Projeto de pesquisa, UFPE
Análise tridimensional da marcha em pacientes com atrofia muscular espinhal tipo III.
Descrição
Dentre os casos de Atrofia Muscular Espinhal (AME), o tipo III apresenta baixa incidência, correspondendo a cerca de 30% dos casos descritos. Por se tratar de uma forma mais branda da doença, seu surgimento pode ocorrer após os 18 meses de idade e até mesmo na vida adulta. Os pacientes geralmente adquirem marcha independente, porém a perda dessa função ocorre tardiamente. Durante a marcha, esses indivíduos desenvolvem mecanismos compensatórios para minimizar os efeitos da fraqueza muscular proximal, o que pode gerar alterações biomecânicas importantes e repercussões funcionais ao longo da evolução da doença. A análise da marcha, também conhecida como avaliação da caminhada, consiste na medição e descrição dos parâmetros que caracterizam a locomoção humana. O registro desses movimentos complexos pode ser realizado por meio da análise computadorizada da marcha, permitindo identificar alterações cinéticas, cinemáticas e eletromiográficas, além de contribuir para o acompanhamento clínico, avaliação funcional e predição prognóstica. Dessa forma, a análise tridimensional da marcha constitui importante instrumento complementar aos achados clínicos em pacientes com doenças neuromusculares. Nesse contexto, o presente estudo tem como objetivo avaliar os perfis cinético, cinemático e eletromiográfico em pacientes com AME tipo III, além de comparar os parâmetros temporais e espaciais da marcha e da força muscular com valores de referência. Trata-se de um estudo transversal que será realizado com pacientes diagnosticados com AME tipo III acompanhados no Laboratório de Análise do Movimento do Instituto Rolim. Espera-se que os resultados deste estudo permitam identificar alterações significativas nos parâmetros cinéticos, cinemáticos e eletromiográficos da marcha em pacientes com AME tipo III, quando comparados aos valores de normalidade. Entre os achados esperados, destacam-se redução da velocidade da marcha, diminuição do comprimento da passada, alterações nos tempos de apoio e balanço, além de prejuízo na qualidade global da marcha, evidenciado pelos índices Gait Deviation Index (GDI) e Gait Profile Score (GPS). Também se espera observar diminuição da força muscular, principalmente em grupos musculares proximais dos membros inferiores, repercutindo diretamente nos mecanismos de estabilidade e deslocamento durante a marcha. Em relação à eletromiografia, espera-se identificar padrões compensatórios de ativação muscular, com recrutamento muscular em fases inadequadas do ciclo da marcha, demonstrando adaptações funcionais decorrentes da fraqueza muscular progressiva. Além disso, o estudo pretende contribuir para uma melhor compreensão das repercussões biomecânicas da AME tipo III, fornecendo dados objetivos capazes de auxiliar no acompanhamento clínico, na avaliação da progressão da doença e na análise da resposta aos tratamentos medicamentosos e fisioterapêuticos. Espera-se ainda que os resultados sirvam de base para futuras pesquisas e para o desenvolvimento de estratégias terapêuticas mais direcionadas à preservação da funcionalidade e da marcha desses pacientes; Por fim, acredita-se que a identificação precoce das alterações temporoespaciais da marcha e dos mecanismos compensatórios relacionados à fraqueza muscular proximal poderá auxiliar no direcionamento de intervenções terapêuticas mais específicas, além de favorecer o acompanhamento longitudinal da história natural da AME e a avaliação da eficácia de possíveis tratamentos.
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