Projeto de pesquisa, UFPE
Quando os mortos falam: a dimensão ontológica em uma iniciativa de retomada linguística
Descrição
O presente projeto tem por intuito investigar aspectos da dimensão ontológica da linguagem no âmbito da retomada da Língua da Costa no território da Guarda de Moçambique de Nossa Senhora do Rosário na cidade de Divinópolis, em Minas Gerais. Essa iniciativa de revitalização em curso surge como uma proposta autônoma de membros do Reinado e inaugura um esforço inédito de retomada de uma língua afro-brasileira em uma comunidade negra tradicional. Atualmente, o projeto recebe apoio institucional de pesquisadores de quatro universidades brasileiras (UEMG, UFMG, UFPE e UFBA) e está aprovado no Comitê de Ética em Pesquisa (CEP) da Universidade Estadual de Minas Gerais. Nesse sentido, esta pesquisa-ação se inscreve em uma agenda voltada ao desenvolvimento da área de Revitalização e Manutenção de Línguas Ameaçadas, ainda pouco sedimentada no Brasil (Amaral, 2020). A Língua do Negro da Costa (também denominada de Língua da Costa ou Gíria da Tabatinga) foi descrita nos anos 80 pela Profa. Sonia Queiroz e trata-se, segundo a pesquisadora, de “uma língua afro-brasileira de base gramatical do português rural brasileiro e vocabulário africano, ao que parece de base quimbundo” (Queiroz, 1998, 2002). Essa língua teria sido falada em uma ampla região do centro-oeste mineiro e hoje estaria circunscrita principalmente à região da Tabatinga, na cidade de Bom Despacho/MG, localizada a 80 km da cidade de Divinópolis. Contudo, nas marchas (canções tradicionais) e nas práticas cerimoniais e espirituais do Moçambique, é possível identificarmos o uso de léxico e de expressões da língua, tendo em vista uma importante e intrincada dinâmica de transmissão de saberes e de comunicação entre humanos e as entidades mais-que-humanas.
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