Projeto de pesquisa, UFPE
Definição e predição das zonas de treinamento de corrida em mulheres de diferentes níveis
Descrição
O presente projeto tem como objetivo comparar a velocidade crítica (VC) e a máxima fase estável de lactato (MFEL) em mulheres corredoras, além de propor um novo modelo de estimativa dos pontos de transição entre os domínios de intensidade do exercício a partir do desempenho em testes de campo. A investigação parte do pressuposto de que a adequada determinação dos limiares fisiológicos possui papel central na prescrição e distribuição da intensidade do treinamento, sendo fundamental para o desenvolvimento de adaptações aeróbias e melhora do desempenho em provas de média e longa duração. Embora o consumo máximo de oxigênio (VO₂max) seja tradicionalmente utilizado como um importante indicador da capacidade aeróbia, evidências recentes apontam que os limiares fisiológicos, como os limiares ventilatórios e de lactato, apresentam maior aplicabilidade funcional para definição das zonas de treinamento, por representarem as transições entre os domínios moderado, pesado e severo do exercício. Nesse contexto, existe um debate na literatura acerca de qual seria o melhor marcador da transição entre os domínios pesado e severo, com autores defendendo tanto a velocidade crítica quanto a máxima fase estável de lactato como principais referências fisiológicas. Apesar de a MFEL ser considerada o padrão-ouro para determinação dessa transição, sua obtenção exige protocolos prolongados, múltiplas visitas laboratoriais e sucessivas coletas sanguíneas, dificultando sua aplicação prática em larga escala. Em contrapartida, testes de campo têm sido amplamente utilizados por treinadores e assessorias esportivas devido à sua praticidade e baixo custo operacional. Entre esses métodos, destaca-se o teste de 3000 metros, frequentemente empregado para estimativa da velocidade máxima aeróbia e definição indireta das zonas de treinamento. Entretanto, muitos dos modelos atualmente utilizados foram desenvolvidos a partir de amostras predominantemente masculinas e comparados com métodos fisiológicos considerados limitados ou baseados em concentrações fixas de lactato, o que pode comprometer sua validade, especialmente em mulheres. Dessa forma, torna-se necessária uma reavaliação desses protocolos utilizando métodos fisiológicos mais robustos e alinhados às recomendações contemporâneas da fisiologia do exercício. O estudo será conduzido com mulheres corredoras treinadas e contará com avaliações laboratoriais e testes de campo. Inicialmente, as participantes serão submetidas a um protocolo incremental em esteira para determinação da velocidade máxima aeróbia (VMA), consumo máximo de oxigênio (VO₂max), limiar aeróbio e limiar anaeróbio, utilizando diferentes métodos ventilatórios e metabólicos para identificação dos pontos de transição fisiológica. Posteriormente, serão realizados testes de desempenho em intensidade constante correspondentes a 90%, 95% e 100% da VMA, visando analisar as respostas fisiológicas associadas aos diferentes domínios de intensidade. As participantes também realizarão protocolos específicos para determinação da máxima fase estável de lactato, por meio de exercícios contínuos com coleta seriada de lactato sanguíneo. Complementarmente, serão aplicados testes máximos de desempenho nas distâncias de 800 m, 1600 m, 3000 m e 5000 m, permitindo a análise da relação entre desempenho de campo, velocidade crítica e os diferentes limiares fisiológicos. A partir dos dados obtidos, serão realizadas análises comparativas entre VC e MFEL, bem como construídos modelos de regressão capazes de estimar os pontos de transição entre os domínios de intensidade com base no desempenho em diferentes distâncias. Espera-se que os resultados contribuam para o desenvolvimento de métodos mais acessíveis, válidos e específicos para mulheres corredoras, ampliando a aplicabilidade prática da fisiologia do exercício na prescrição do treinamento aeróbio e na organização das zonas de intensidade do treinamento esportivo.
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