Projeto de pesquisa, UFPE
DETERMINANTES SOCIODEMOGRÁFICOS E FISIOLÓGICOS DA MOBILIDADE FUNCIONAL EM PESSOAS IDOSAS: UM ESTUDO COM LIFE-SPACE ASSESSMENT, SPPB E BIOMARCADORES DIGITAIS
Descrição
Introdução: Evidências científicas indicam que a mobilidade funcional é determinada por múltiplos fatores que interagem de forma complexa ao longo do envelhecimento (Justice et al., 2016). Dentre os fatores sociodemográficos, destacam-se a idade, o sexo, a escolaridade e a renda. Estudos mostram que idosos com menor nível educacional e menor renda apresentam pior função física e maior restrição de mobilidade, refletindo desigualdades sociais no processo de envelhecimento (Rachele et al., 2025). Além disso, o contexto ambiental, representado pelo Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) do local de residência, exerce influência significativa sobre a mobilidade, uma vez que bairros com melhor infraestrutura e maior segurança tendem a favorecer deslocamentos e participação social (Cassarino et al., 2015). Objetivo: Analisar a influência de fatores sociodemográficos (idade, sexo, escolaridade, renda, IDH do local de residência) e fisiológicos (cognição, sono total, sono REM) sobre a mobilidade funcional de idosos residentes na Região Metropolitana do Recife, avaliada por meio do Life-Space Assessment (LSA) e do Short Physical Performance Battery (SPPB). Metodologia: Trata-se de um estudo observacional de caráter transversal, onde pessoas idosas comunitárias serão avaliados por meio de instrumentos de função física e cognitiva, além de uma pulseira de monitoramento (relógio inteligente do modelo Forerunner 245, da marca Garmin®, EUA).A mobilidade no espaço de vida será avaliada por meio do LSA, instrumento validado para a população brasileira (Curcio et al., 2013). O LSA investiga os locais frequentados pelo indivíduo nas últimas quatro semanas, desde o ambiente onde ele dorme até outras cidades, bem como a frequência com que esses deslocamentos ocorrem e o grau de autonomia. A SPPB consiste em três testes: equilíbrio estático, velocidade de marcha e o teste de sentar-levantar. Cada componente do teste possui escores que variam de 0 (zero) a 4 (quatro); o escore 0 representa a inabilidade para desempenho no teste e o escore 4 representa o mais alto desempenho.Durante o período de 7 dias consecutivos, os participantes do estudo utilizarão uma pulseira de monitoramento remoto Garmin Forerunner 245®. O dispositivo possui o formato de relógio com um sensor na região posterior da tela para captação de dados fisiológicos. O sono será avaliado por meio da utilização do smartwatch, que detectará automaticamente o sono, monitorando os movimentos durante o horário normal de descanso. As estatísticas do sono incluirão: duração total do sono (minutos), eficiência do sono (% do tempo na cama dormindo), tempo em sono leve (minutos), tempo em sono profundo (minutos), tempo em sono REM (minutos), fragmentação do sono (número de despertares) e regularidade do sono (variabilidade intraindividual nos horários de dormir/acordar) (Garmin Ltd., 2025). Serão considerados válidos apenas registros com ≥4 noites completas. Os endereços residenciais dos participantes serão geocodificados utilizando ferramentas de georreferenciamento (Google Maps API, QGIS). Cada endereço será classificado segundo o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) do bairro ou setor censitário, utilizando dados do Atlas do Desenvolvimento Humano no Brasil (PNUD) e do IBGE. Serão consideradas as dimensões do IDH: renda, longevidade e educação. Os bairros serão categorizados em: muito baixo (0-0,499), baixo (0,500-0,599), médio (0,600-0,699), alto (0,700-0,799) e muito alto (0,800-1,000). Relevância do estudo: Este estudo tem potencial para impulsionar o desenvolvimento científico e tecnológico de Pernambuco ao integrar dispositivos vestíveis como o smartwatch Garmin Forerunner 245 na avaliação da mobilidade funcional de idosos, alinhando-se às demandas do envelhecimento populacional no estado. Ao validar métodos inovadores de monitoramento remoto que combinam dados subjetivos (LSA) e objetivos (SPPB, biomarcadores de sono), o projeto contribui para políticas públicas de saúde mais eficientes, fortalece o ecossistema de inovação e promove a formação de recursos humanos alinhados com esta nova perspectiva de mercado.
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