Projeto de pesquisa, UFPE
Mastócitos da dura-máter e pericrânio de humanos e ratos Wistar - Estudo do ciclo de granulação e degranulação celular, perfil proteômico e resposta ao uso de topiramato e melatonina In vitro
Descrição
O presente estudo tem como objetivo investigar a viabilidade, o comportamento funcional e o perfil proteômico dos mastócitos presentes na dura-máter e no pericrânio de humanos e ratos Wistar, bem como avaliar a resposta dessas células à exposição in vitro ao topiramato e à melatonina. Os mastócitos são células inflamatórias derivadas de progenitores hematopoéticos que desempenham papel relevante em mecanismos de imunidade inata e adaptativa, além de participarem de processos neuroinflamatórios e nociceptivos por meio da liberação de mediadores bioativos, incluindo histamina, citocinas, fatores de crescimento e neuropeptídeos. Evidências recentes sugerem que essas células possuem participação importante na fisiopatologia das cefaleias primárias, particularmente da migrânea, devido à sua íntima relação com estruturas do sistema trigeminovascular. A dura-máter apresenta elevada concentração de mastócitos distribuídos próximos a vasos sanguíneos e fibras nervosas, características que favorecem sua participação em processos dolorosos e neuroinflamatórios. Paralelamente, o pericrânio, além de exercer funções estruturais e protetoras do crânio, possui rica vascularização e inervação, podendo estar associado ao desenvolvimento e à propagação de processos dolorosos intracranianos. Estudos prévios desenvolvidos pelo grupo de pesquisa demonstraram a presença de mastócitos viáveis tanto na dura-máter humana quanto no pericrânio de ratos Wistar, indicando a necessidade de aprofundamento acerca do comportamento funcional dessas células ao longo do tempo e sob diferentes estímulos farmacológicos. Nesse contexto, hipotetiza-se que os mastócitos presentes na dura-máter e no pericrânio de humanos e ratos Wistar permaneçam viáveis após a coleta tecidual quando mantidos em meio de cultura Dulbecco's Modified Eagle Medium (DMEM), apresentando alterações dinâmicas em seus processos de granulação e degranulação, além de diferentes respostas celulares frente à exposição à melatonina e ao topiramato. Trata-se de um estudo experimental, analítico e comparativo, utilizando amostras humanas obtidas a partir de cadáveres frescos provenientes do Serviço de Verificação de Óbitos (SVO/UFPE) e amostras animais obtidas de ratos Wistar provenientes do biotério institucional. Serão coletadas amostras de dura-máter e pericrânio humanos e de ratos, que serão mantidas em meio de cultura DMEM e avaliadas em diferentes tempos experimentais (0 h, 2 h, 12 h e 24 h), permitindo investigar a dinâmica de viabilidade e os processos de granulação e degranulação mastocitária. Após a identificação do período correspondente à maior atividade mastocitária, serão realizados experimentos adicionais para avaliação da resposta celular frente à exposição à melatonina e ao topiramato, utilizando concentrações de 10⁻⁶ M, 10⁻⁸ M e 10⁻¹⁰ M. As amostras serão distribuídas em grupos controle, melatonina e topiramato, permitindo a análise comparativa dos efeitos farmacológicos sobre a atividade mastocitária. A avaliação histológica será realizada por meio de processamento histológico convencional, com coloração por azul de toluidina e análise microscópica quantitativa dos mastócitos granulados e degranulados. Paralelamente, será realizada análise proteômica por cromatografia líquida acoplada à espectrometria de massas (LC-MS/QTOF), visando identificar alterações moleculares associadas ao tempo experimental e à exposição farmacológica. Os dados serão submetidos a análises estatísticas paramétricas ou não paramétricas, conforme o padrão de distribuição das variáveis, adotando-se nível de significância de 5%. Espera-se que os resultados permitam ampliar a compreensão acerca da fisiologia mastocitária em tecidos cranianos, contribuindo para o entendimento dos mecanismos neuroinflamatórios envolvidos em condições dolorosas, particularmente nas cefaleias primárias, além de fornecer subsídios para futuras estratégias terapêuticas baseadas na modulação farmacológica dessas células.
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